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Crise/Empresas: Combinação de incertezas paira sobre cias locais

Teresa Navarro, editora do AE Empresas e Setores São Paulo, 30 - Quando tudo parecia relativamente sob controle para as empresas brasileiras - apesar do tamanho da crise financeira nas economias centrais -, as incertezas ganharam dimensão muito maior em razão da descoberta de que algumas companhias fizeram operações alavancadas de derivativo cambial, perdendo somas significativas com a valorização do dólar. Pelo menos duas, Sadia e Aracruz, vieram a público assumir prejuízos com essas operações financeiras, que deveriam ser usadas para a proteção contra a variação cambial.

Agência Estado |

Somente a Sadia teve prejuízo de R$ 760 milhões. A Aracruz não informou o valor.

Até a semana passada as ações das empresas caíam, mas os analistas e especialistas falavam que os fundamentos eram bons e os lucros do terceiro trimestre estavam garantidos para a maioria delas. Acreditava-se que o desafio para as empresas brasileiras vinha do front externo, com o enxugamento da liquidez internacional e as preocupações sobre o desempenho da economia global. Esses dois componentes já eram suficientes para plantar a incerteza quanto à capacidade de financiar os investimentos previstos e à possibilidade de retorno embutida.

Essa cautela era, no entanto, amenizada pelo baixo endividamento e boa capitalização das companhias. Olhando para o caixa disponível no final de junho, último dado divulgado em balanços, as empresas mais importantes dos setores de mineração, siderurgia, energia, celulose, transportes, telecomunicações e alimentos tinham dinheiro suficiente para bancar os investimentos já anunciados até o final do ano, sem necessidade de recorrer a captações externas, que se tornaram muito caras.

O problema é que agora ninguém tem certeza de que esses caixas não serão comprometidos em razão de prejuízos financeiros, que possam vir a ser liquidados. Na sexta-feira, os analistas ficaram em polvorosa, tentando obter informações com diretores de relações com investidores sobre as empresas que acompanham. Perto de uma dúzia de companhias saiu a público para declarar que não faz especulação com hedge cambial. Mesmo assim, a dúvida prevaleceu: o número de empresas que se manifestou foi pequeno e não existe outra forma de obter esse tipo de informação. Não é obrigatório que o balanço mostre abertamente operações com derivativos. A única informação disponível é o resultado financeiro geral.

Algumas entidades representantes dos investidores e do mercado de capitais iniciam um movimento para cobrar das companhias abertas a antecipação da adoção da convergência das normas contábeis ao padrão internacional, o IFRS, que só será obrigatória a partir de 2010. A nova legislação prevê mais transparência das informações financeiras nos demonstrativos de resultados, incluindo a divulgação de contratos de derivativos.

Enquanto isso não acontece o mercado está às cegas. Operadores comparam o cenário de incertezas aos combinados vendidos pelas lanchonetes fast food e operadoras de TV paga, chamados de Combo: uma combinação de dúvidas quanto aos efeitos no Brasil da falta de liquidez e da redução do desempenho da economia mundial e também quanto ao resultado financeiro de cada empresa. Tudo combinado e turbinado com a notícia da não aprovação do pacote americano de ajuda ao sistema financeiro de US$ 700 bilhões.

Alguma luz virá a partir da divulgação dos balanços do terceiro trimestre, quando se conhecerá, pelo menos, o tamanho das perdas financeiras. A expectativa é que o resultado financeiro já venha pior em razão da valorização do dólar mais forte no último mês. Não ficará claro, porém, quem especulou, mas a tendência é que essas empresas tenham perdas mais significativas. A safra de balanços começa em 07 de outubro, exatamente com a divulgação dos resultados da Aracruz.

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