Crise Econômica Mundial

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Uma negociadora decisiva e calma age na crise europeia

Lael Brainard, principal diplomata financeira dos EUA, atua principalmente nos bastidores, em telefonemas particulares e visitas discretas a líderes da Europa

The New York Times | 11/02/2012 09:23

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"Ela nunca se vale da posição dos EUA para falar 'é isto, eu sou o poder'", diz chefe do Tesouro francês

Financistas globais e ministros da economia participaram em janeiro do fórum anual em Davos, Suíça, em outro momento tenso, com a dívida pública afligindo a Europa ao solapar a força dos mercados emergentes e ameaçar o crescimento global.

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E Lael Brainard, principal diplomata financeira dos Estados Unidos, chegou em 26 de janeiro à Suíça para trabalhar pelas negociações europeias. Como subsecretária do Tesouro para assuntos internacionais, ela tem a tarefa urgente de ajudar a convencer os europeus a sair da crise financeira criando proteções que tranquilizem os mercados de uma vez por todas – e faz isso sem qualquer papel formal nas negociações. Às vezes é um papel embaraçoso, mas a aposta é enorme, não apenas para os EUA, mas pela preservação da eurozona e sua moeda.

Brainard, 49 anos, atua principalmente nos bastidores, em telefonemas particulares e visitas discretas – 17 viagens somente à Europa nos últimos dois anos. "Eles confiam nela, procuram-na, falam com ela em busca de ideias e para nos envolver", disse Timothy F. Geithner, secretário do Tesouro. "Ela é realmente notável nesse aspecto."

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Missão delicada: muitos europeus acreditam que as hipotecas de risco nos EUA detonaram a crise

Quando a Grécia começou a assustar os mercados no final de 2009, Brainard mostrou preocupação de que poderia virar uma questão continental. Desde então, sua tarefa tem sido navegar no conturbado mundo da política europeia, na qual às vezes parece que todo pequeno país, da Eslováquia a Portugal, tem algo a dizer nas grandes decisões.

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Muitas autoridades europeias não gostam de ver os EUA mexendo com a política local. E muitos culpam sua frouxidão fiscal e as hipotecas de risco por espalhar a crise global. "Às vezes, quando aponta um dedo para a Europa, ela se esquece que três dedos estão voltados para ela", afirmou um membro do ministério das finanças alemão sob condição de anonimato para evitar prejudicar as relações.

Brainard reconheceu tratar-se de uma questão delicada. Por vezes, a presença do Departamento do Tesouro se mostrou crucial em salvar a Europa do colapso. Em meados de 2010, por exemplo, ele persuadiu líderes europeus a decuplicar o tamanho do socorro financeiro à Grécia.

Durante essas negociações duras, Brainard ganhou a reputação de equilibrada, clara e extraordinariamente detalhista; um colega a descreveu como um "vulcão". "Ela sorri e tem um tom muito suave, mas sua essência é dura feito pedra. Não se deve subestimá-la", afirmou a autoridade alemã. Ramon Fernandez, o poderoso chefe do Tesouro francês, disse que "nunca a vi perder a calma. Ela nunca se vale da posição dos Estados Unidos para falar: 'É isto. Eu sou o poder.'"

Os europeus também gostam da sensibilidade de Brainard à cultura política. Ela é fluente em alemão e foi criada na Polônia e Alemanha, por ser filha de um diplomata durante a Guerra Fria. "Sou visceral e empiricamente consciente das profundas divisões que foram curadas com a integração europeia. E de como a Europa estava essencialmente dividida há poucas décadas e de como é importante que isto tenha sucesso."

Depois de se doutorar em economia em Harvard, Brainard entrou para o Conselho Econômico Nacional durante o governo Clinton, trabalhando com questões internacionais como o peso mexicano e as crises financeiras na Ásia. Depois, ela se tornou um dos emissários mais jovens do governo, representando os EUA em reuniões de cúpula internacionais. "Lael não fazia parte da lista seleta no começo porque era jovem e menos conhecida", afirmou Gene Sperling, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca então e agora. "No entanto, uma hora eu pensei: 'Isso é loucura. Todos os dias ela prova ser capaz de fazer esse trabalho tão bem quanto todos'."

A reputação de concentração e de não fazer drama permanece. "Ela é uma máquina", disse Sharon Yuan, subsecretária assistente do Tesouro para políticas de investimento e comércio, descrevendo sua agenda de voos internacionais interrompida por uma maratona de reuniões interrompida por pedidos de Washington.

Ela se tornou uma consultora de confiança de Geithner, a quem conhece desde o governo Clinton, quando conseguiu o emprego. "Em função do tamanho de nossos desafios, passei a maior parte do tempo como secretário concentrado na economia americana, num grande contraste à minha concentração no Tesouro em anos passados", disse Geithner. "Como Lael é muito forte, pude lhe delegar um papel importante na agenda financeira global, resultando numa grande vantagem para mim e o presidente.

Embora a Europa tenha ocupado muita atenção de Brainard, "estamos tentando criar uma relação completamente diferente com países como a China e a Índias", ela afirmou. "Estamos tentando dividir o encargo e a responsabilidade de conduzir a economia global com esses países", um dos motivos pelos quais o governo Obama exigiu que o G-20 suplantasse o G-8 como palco principal para as negociações econômicas internacionais.

"Não era assim que esperava gastar meu tempo no Tesouro", declarou Brainard. Todavia, "inexiste um assunto mais importante agora".
 

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