Crise Econômica Mundial

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Resgate grego contém projeções improváveis, diz relatório confidencial

Dossíê de 10 páginas levanta dúvidas sobre números utilizados no acordo. Segundo analista, europeus recorreram a "ginásticas aritméticas"

iG São Paulo | 22/02/2012 14:51

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Foto: Getty Images Ampliar

Evangelos Venizelos, ministro das Finanças da Grécia, em conferência com jornalistas em Atenas, na terça-feira

Em um relatório confidencial de 10 páginas sobre o resgate da Grécia, analistas escreveram que “existem riscos consideráveis” e que o programa deixa em aberto questões envolvendo a sustentabilidade da dívida grega, segundo o jornal Financial Times. O documento está repleto de sinais de alerta de que as projeções contidas no socorro aos gregos – usadas para calcular o tamanho e o alcance do resgate - poderão se mostrar rapidamente enviesadas.

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“A ‘troika’ (como é chamado o grupo formado pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) precisou fazer algumas ginásticas aritméticas para fazer com que os números se encaixassem, mas suas suposições otimistas são improváveis”, afirmou Sony Kapoor, diretor da Re-Define, uma consultoria econômica que presta serviço para oficiais europeuas.

O relatório também afirma que o plano de resgate supõe que a Grécia voltará rapidamente para uma trajetória de crescimento. Os cálculos feitos no plano de socorro assumem que a economia grega, no seu quinto de recessão, irá parar de contrair no ano seguinte e voltará a uma taxa relativamente robusta de crescimento de 2,3% em 2014. A necessidade de financiamento da Grécia nos próximos três anos, neste cenário, totalizará 170 bilhões de euros.

Mas, com uma retração econômica de 1% no próximo ano, seguida de um modesto crescimento de 1,3% em 2014, a Grécia precisará de financiamentos de 245 bilhões de euros, segundo o Financial Times.

Perguntado se acreditava que os cenários traçados no plano de resgate da Grécia de 130 bilhões permitiriam ao país alcançar níveis sustentáveis de endividamento no fim da década, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, recorreu na terça-feira a um escritor americano: “Como disse Mark Twain, há um significativo grau de incerteza”, informa o jornal Financial Times.
 

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