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Crise Econômica Mundial
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Ex-prefeita de Fortaleza prega fim do capitalismo em Nova York

Integrante do grupo de extrema-esquerda Crítica Radical, Maria Luiza Fontenele se juntou ao Ocupe Wall Street para "derrotar o capitalismo"

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

No dia em que centenas de policiais desocuparam o parque em Lower Manhattan, em Nova York (EUA), o movimento Ocupe Wall Street ganhou reforço tupiniquim. A ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele, de 68 anos, desembarcou em solo americano com mil panfletos na bagagem. Nos folhetos, um manifesto traduzido do português para o inglês decreta a morte do capitalismo e afirma que o dinheiro está obsoleto.

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Carregando o calhamaço de papel repleto de utopias com inspiração marxista e anarquista pelas ruas de Manhattan, Maria Luiza defende o extermínio do sistema capitalista. “A gente percebe uma insatisfação muito grande das pessoas. Elas não acreditam mais no sonho americano, mas também não têm claro qual a outra vida que desejam”, reflete a socióloga, prefeita de Fortaleza nos anos de 1986 a 1989, eleita pelo PT. Ela foi a primeira mulher a governar uma capital brasileira. Anos depois, brigou com a política partidária e radicalizou o discurso contra o capitalismo.

Divulgação
A ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele (no centro, à esquerda), e a militante Célia Zanetti exibindo panfletos durante manifestação em Nova York

Nos mil panfletos impressos em Fortaleza e transportados com zelo na bagagem de mão, está o texto intitulado "Because we shall defeat capitalim" (traduzindo para o português: Porque derrotaremos o capitalismo). Nele o movimento de extrema-esquerda Crítica Radical – da qual Maria Luiza participa – prega uma “articulação transnacional pela emancipação humana”. Segundo a análise feita por eles, o momento pelo qual passa o capitalismo financeiro não é mais uma “crise cíclica” e sim o “colapso final”. “Essa ideia não é muito difundida aqui. Queremos debater para que mais pessoas conheçam essa reflexão”, explica.

Maria Luiza e Célia Zanetti – ambas militantes do movimento de extrema-esquerda Crítica Radical – pegaram um avião em Fortaleza com destino aos Estados Unidos no início da semana. As duas levaram um susto quando chegaram à Nova York na terça-feira (15). Elas esperavam encontrar um imenso acampamento no coração do capitalismo financeiro. A ideia era se juntar ao Ocupe Wall Street, mas a polícia nova-iorquina já havia desocupado o parque em Lower Manhattan .

Decepcionadas e com frio, as duas voltaram para o quarto do Hotel Pennsylvania localizado no centro de Manhattan, perto do Madison Square Garden. Na quinta-feira (17) elas voltaram às ruas e se depararam com a passeata de mil pessoas na região da Bolsa de Nova York, celebrando o segundo mês de vida do Ocupe Wall Street. Momento perfeito para a panfletagem, não fosse pelo tumulto e a prisão de 100 manifestantes que tentaram impedir os funcionários do sistema financeiro de trabalhar.

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“Havia um esquema repressivo muito grande. As ruas estavam todas cercadas por barreiras e cordões humanos formados por policiais”, contou à reportagem do iG Célia Zanetti.

Mesmo diante dos perigos, as duas insistiram na missão e divulgaram os ideais de emancipação humana que costumam pregar em Fortaleza sempre que algum protesto ganha as ruas da capital cearense, como foi durante a greve dos professores da rede estadual do Ceará recentemente. “Tinha gente de quase todo o mundo. As pessoas foram muito receptivas”, disse Maria Luiza.

Prefeitura de Fortaleza

Maria Luiza foi eleita prefeita em 1985 quando os prefeitos das capitais voltaram a ser escolhidos pelo voto direto. Na campanha, a candidata do PT era considerada carta fora do baralho. As pesquisas apontavam Paes de Andrade em primeiro lugar com 50% das intenções de voto e Lúcio Alcântara em segundo com 21%. A então jovem professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC) aparecia em terceiro com 10%.

As urnas surpreenderam a todos, inclusive os petistas, que sequer possuíam um projeto consistente para a cidade, dada a descrença na vitória. Maria Luiza assumiu uma prefeitura endividada, com uma folha de pagamento do tamanho da receita do município e uma política fiscal que concentrava ainda mais que hoje os recursos nas mãos da União e dos Estados. Sem dinheiro e o apoio do então governador Tasso Jereissati, falando em “moralizar” a administração pública e com um discurso socialista, ela enfrentou greve geral, insatisfação popular e terminou a administração rachada com o PT e com as ruas da cidade cobertas pelo lixo.

O PT demorou mais de dez anos para se recuperar no Ceará, depois do saldo de sua primeira gestão em Fortaleza. Apenas na primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva o partido conseguiu se restabelecer no Estado. Somente em 2004, em uma nova eleição surpreendente, sem o apoio da cúpula nacional do PT, Luizianne Lins levou o partido de volta ao poder, onde ainda permanece.

Causas internacionais

Não é a primeira vez que a ex-prefeita Maria Luiza se engaja em uma causa internacional. Ela, junto com outros integrantes do grupo Crítica Radical, lutou por anos contra a extradição do ativista italiano Cesare Battisti, acusado em seu país de assassinato e terrorismo. Ela esteve em Brasília no Palácio do Planalto em campanha pela libertação de Battisti por diversas vezes e também quando o caso foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em seu último dia de mandato, com uma "canetada", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pois fim ao impasse e manteve o ativista no Brasil, acatando um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU).
 

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