Crise Econômica Mundial

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Conheça quem são os manifestantes do “Ocupe São Paulo”

Perfil dos participantes do ato é tão eclético quanto a pauta de reivindicações que vai desde crise econômica a questões ambientais e futebol

Ilton Caldeira, iG São Paulo | 19/10/2011 05:30

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O vento frio que circulava na tarde de terça-feira sob o Viaduto do Chá, na região central da capital paulista, e o sol fraco que voltou a aparecer na cidade após vários dias seguidos de chuva faziam parte da paisagem do local que está abrigando os cerca de 60 manifestantes acampados desde sábado e que se dizem “unidos por uma mudança global na sociedade”.

Seguindo os moldes da manifestação “Ocupe Wall Street”, em Nova York, que completou um mês esta semana, a principal característica que une os participantes do movimento, batizado de "15-O São Paulo", é a forte atuação em blogs e redes sociais na internet, recurso utilizado em larga escala como ferramenta de mobilização. Os protestos fazem parte de um movimento global que acontece em 911 cidades em mais de 80 países.

Foto: Greg Salibian/iG Ampliar

Manifestantes acampados no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista

Com o País ainda livre dos efeitos mais drásticos da crise econômica mundial, que motivou o surgimento dos movimentos no exterior, os protestos no Brasil, sob o slogan“democracia real já”, têm uma pauta mais extensa e diversificada que vai desde a corrupção na CBF até a ampliação dos recursos destinados à educação por todas as esferas de governo.

A discriminalização das drogas, melhorias na saúde pública, serviços de banda larga gratuitos além de mudanças no sistema financeiro global, também estão no foco das discussões dos manifestantes brasileiros.

A exemplo da pauta variada, o perfil dos acampados também é bastante diversificado. De estudantes do ensino médio passando por profissionais liberais, professores, engenheiros, historiadores, músicos, grafiteiros, moradores de rua e aposentados o movimento tem em suas fileiras uma amostra das várias faces da sociedade.

Ao lado de uma mesa com cinco computadores com acesso a internet e alimentados por um gerador de força à gasolina, fruto de uma doação, o profissional liberal Rafael Vila Nova, de 26 anos, acampado no centro de São Paulo desde o dia 15, explica que o movimento é baseado em três pilares: apartidarismo, não violência e assembleísmo.

“Não queremos nenhuma conotação política. Queremos chamar a atenção das autoridades para que elas venham debater aqui conosco os temas da pauta, principalmente as questões econômicas de uma forma mais democrática e direta”, disse o jovem que trabalha com montagem de estandes para feiras e eventos.

De acordo com ele, os problemas econômicos que afetam o mundo, ainda não atingiram diretamente o País, mas podem chegar a qualquer momento e é necessário um debate mais próximo com a sociedade para evitar que os mesmos erros cometidos na Europa e nos Estados Unidos sejam praticados no Brasil. “ Passamos da era da informação para a era da colaboração e a sociedade precisa ter uma participação mais ativa na tomada de decisões para não acontecer como na Grécia, onde o capital e a regras de mercado destruíram o berço da democracia e da cultura ocidental”, disse.

<span>Acampamento no centro da capital paulista</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>O grafiteiro Adelson Chaves:preocupação com as questões econômicas e suas implicações para as pessoas de baixa renda</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>A estudante Carolina Stary: decepção com a classe política e o atual sistema eleitoral</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Cristiana Gonzales, que faz mestrado em sociologia: reflexo de outros movimentos que aconteceram ao longo do ano</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Jéssica Inácio da Costa, garçonete de 25 anos:questão econômica está diretamente ligada à pauta da preservação ambiental</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>O historiador Leandro Cruz: no Brasil se vive pior que na Europa, que atravessa uma grande crise</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>O profissional liberal Rafael Vila Nova: "Queremos chamar a atenção das autoridades para que venham debater aqui conosco"</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Pratos com saladas preparadas pelos manifestantes acampados no centro de São Paulo</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Estrutura montada pelos manifestantes garante contato com as redes sociais 24 horas por dia</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Lixo produzido no acampamento é separado pelos manifestantes para reciclagem</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Lista de mantimentos elaborada pelos manifestantes: grupo tem recebido doações de simpatizantes</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong> <span>Acampamento montado desde sábado no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista</span> - <strong>Foto: Greg Salibian/iG</strong>

Para Jéssica Inácio da Costa, garçonete de 25 anos que mora na zona Leste da capital paulista, a questão econômica está diretamente ligada à pauta da preservação ambiental. Para ela, que foi cooptada para a manifestação pelas redes sociais, a questão ambiental pode contribuir para ampliar as opções de trabalho e despertar a atenção das pessoas para o uso mais racional de energia.

“Vi pelas redes sociais o que estava acontecendo e achei que podia dar minha contribuição”, disse Jéssica, que na tarde de terça-feira estava atuando no “comitê de comida” do acampamento no centro de São Paulo, onde era encarregada de lavar pratos e copos de plástico usados nas refeições dos manifestantes, cujo cardápio era composto por macarrão, alface e tomate, tudo fruto de doações feitas por simpatizantes e transeuntes que passam pelo alojamento improvisado.

O grafiteiro Adelson Chaves, de 32 anos, que estava organizando, no “comitê de comunicação” do movimento, a produção de faixas e cartazes com frases como “O capitalismo não está em crise; ele é a crise” e “Indignação não é suficiente”, se dizia preocupado com as questões econômicas e suas implicações para as pessoas de baixa renda.

“Parte dos problemas financeiros está no fato de existir uma grande concentração de renda e uma forte cultura exploratória de recursos humanos e naturais.” Chaves também reveza com outros membros da manifestação nos discursos com megafone e ainda canta músicas de Chico Science para manter o ânimo do grupo.

A decepção com a classe política e o atual sistema eleitoral levaram a estudante Carolina Stary, de 18 anos, a juntar-se ao acampamento no centro de São Paulo. Para ela, que participa do comitê de infraestrutura do movimento muitas pessoas no Brasil não se sente representadas pelas autoridades eleitas. “Votei pela primeira vez no ano passado, mas não me sinto representada por nenhum político. Decidi defender na manifestação um novo tipo de democracia, com mais voz ativa da sociedade seja de forma presencial, como aqui no acampamento, ou via redes sociais”, disse.

O historiador Leandro Cruz, de 29 anos, veio da cidade de Franca, no interior paulista, para participar da manifestação e segue acampado com os demais membros do movimento, sem previsão de retorno a sua cidade. “Milito pelas causas da educação e da preservação ambiental. Mas a questão econômica também me preocupa. Dizem que o Brasil ainda não sentiu os efeitos da crise, mas aqui, com o País em um bom momento, muitos ainda não participam desse bom momento e se vive pior que na Europa, que atravessa uma grande crise. Isso precisa mudar”, disse.

Para a mestranda em sociologia e participante do acampamento, de 27 anos, uma das características mais interessantes do movimento é que ele tem procurado ser amplo e tolerante com todas as vertentes, por isso a pauta acabou ficando mais abrangente.

“O movimento é inspirado nas manifestações contra a crise mundial em vários países, mas ganhou corpo com diversas manifestações que ocorreram ao longo do ano no País, como por exemplo, os protestos contra aumentos das tarifas de transporte público, contra a homofobia, contra a violência, entre outros”, disse.

As principais pautas do movimento são:
Contra o estado penal e a criminalização dos movimentos sociais e da classe trabalhadora;
Contra a utilização de armas nas manifestações populares;
Contra as remoções de famílias para construções de obras da Copa e Olimpíadas;
Fora Ricardo Teixeira, presidente da CBF;
Saúde pública e de qualidade;
Contra o aumento das passagens de ônibus e metrô;
Contra privatização dos transportes e à cultura do automóvel;
10% do PIB para a educação pública;
Internet banda larga para todos em regime público e gratuito;
Contra o racismo, preconceito e extermínio da juventude negra;
Legalização do aborto;
Por uma Comissão da Verdade, Memória e Justiça autônoma, que julgue os assassinos e torturadores;
Apoio às reivindicações dos trabalhadores em greve.
 

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40 Comentários |

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  • Luciano | 21/10/2011 17:13

    O movimento contra a ganância destrutiva do sistema financeiro acontece no mundo todo. A crise que quebrou a Grécia e ameaça o Euro pode também atingir o Brasil. O brasileiro não aguenta mais pagar tanto imposto e ter um país com qualidade de vida africana. O povo brasileiro é triplo A. Valeu gente! Se eu morasse em Sampa, iria dar o meu apoio.

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  • Nelson Semeraro | 20/10/2011 16:47

    Apenas uma dúvida... porque o pessoalzinho acampado não vai ajudar em casa? Quem sabe uns poderiam mesmo trabalhar, outros fazer a cama e a limpeza de seus quartos, coar um café, coisas que suas mamães estão fazendo agora?! É melhor usar o tempo de forma útil!

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  • Sherlock | 19/10/2011 23:24

    Pela fiscalização da mídia pelo povo. Por informação verídica e de qualidade. Não aguento mais manipulação e comunicação distorcida dos fatos. Quero saber, corretamente se, diante de um surto de febre amarela na amazônia, eu, aqui em São Paulo, devo, ou não ser vacinado. É coisa simples, mas que não acontece.

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  • william-S.Paulo | 19/10/2011 22:26

    Infelizmente o Brasil retrocedeu no aspecto cultural,antes vc curtia uma bélissima,e inteligente letra de musica feita por gente simples,grandes compositores do passado,tipo Pixinguinha/Noel Rosa/Chico Buarque/Tom Jobim/Vinicius/, Geraldo Vandre/ epoca dos grandes festivais,apesar de na epoca sermos um pais muito mais pobre,respiravamos,e transpiravamos cultura,as crianças saiam das escolas sabendo,a UNE era realmente uma instituição que brigava por um pais melhor,e não se vendia p/ partidos corruptos,QUE SAUDADE DAQUELE BRASIL.

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  • Nostradamus | 19/10/2011 20:26

    Sobre as principais pautas do Movimento, discordo de uma: a legalização do aborto.\nSou contra a todo e qualquer tipo de crime.

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  • Sara | 19/10/2011 18:44

    Isso está me parecendo coisa do PT, para contrapor o movimento que surgiu contra a corrupção nesse país, e que não quer se misturar com partidos politicos, sindicatos e os tais movimentos sociais. Se o dinheiro absurdo que nos pagamos em impostos fosse dirigido para a população em geral ao inves de ir para caixa dois de partido e bolsos de politicos corruptos, teriamos melhor educação, saúde e segurança. Mas um povo com boa saúde, educação de primeira e alta estima é muito mas muito perigoso, não é senhores politicos?

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    Carlos Pansera | 19/10/2011 20:30

    A corrupção politica deve ser combatida, porem as manifestações que sugiram nos últimos dias contra a corrupção, são manifestações que não questionam a essência da corrupção, infelizmente. Até a TV globo corrupta como ela quer falar de contra a corrupção, porque este movimento não questiona o envio de juros das ao capital financeiro, que este ano devem somar 260 bilhões de reais?? A essência da corrupção esta na essência do modo de produção capitalista, todo apoio e sucesso a mobilização de "ocupe SP" e "Ocupe o Wall Street", o mundo precisa acorda para as mobilizações populares, só elas implusionaram um processo de mudança profunda, novos rumos para a Humanidade, mais uma coisa Sara, não sou filhado a partido nenhum mas se não me engano no EUA não PT, e o movimento nasceu lá. fraternalmente, Carlos

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  • Carlos N Mendes | 19/10/2011 18:22

    lembrando um fantástica colocação (desculpe se não lembro quem disse): "primeiro eles nos ignoram, depois riem de nós, em seguida nos atacam, e aí nós vencemos."

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  • Jose Roberval da Silva | 19/10/2011 16:58

    Esse pessoal utopico e interessante. Tudo o que eles pedem bate ipsis literis com as demandas do PT. Aparentemente estamos falando de gente "sem bandeiras", mas ali todos defendem exatamente a mesmissima ideologia do PT. Que curioso nao?\nPorque essa gente nao sai as ruas pedindo coisas mais objetivas e concretas, como por exemplo: reducao da absurda carga tributaria, fim da capital em Brasilia (verdadeiro celeiro da corrupcao), guerra ao narcotrafico (FARC) e o julgamento e punicao dos envolvidos no mensalao?\nPorque sera ein, ein?\n

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    Renato Tavares | 20/10/2011 07:43

    ABORTO É ASSASSINATO. USEM PRESERVATIVOS OU OUTROS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS. ABORTO, NÃO.

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