O primeiro-ministro britânico, David Cameron, buscou na segunda-feira conter o dano político decorrente da sua rejeição a um novo tratado da União Europeia, ao dizer que a participação do Reino Unido entre os 27 países do bloco é vital para os interesses britânicos.
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Cedendo à pressão do setor financeiro do seu país, Cameron rejeitou uma reforma que endurece as regras fiscais para países que usam o euro, o gerou a maior cisão da sua coalizão desde a ascensão ao poder, em maio de 2010. A decisão deixou a Grã-Bretanha isolada dentro da UE.
Londres aderiu à União Europeia em 1973, mas os britânicos sempre tiveram uma postura de desconfiança em relação ao bloco, e nunca se interessaram em substituir a libra esterlina pelo euro. A postura de Cameron na cúpula europeia da semana passada pareceu ser mais um passo rumo a um distanciamento.
Mas, num acalorado debate no Parlamento, Cameron disse que "a Grã-Bretanha continua sendo um membro pleno da UE, e os fatos da semana passada em nada mudam isso". "Nossa adesão à UE é vital para o nosso interesse nacional. Somos uma nação comercial, e precisamos do mercado único para comércio, investimentos e empregos", acrescentou.
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O veto de Cameron ao novo tratado agradou à ala eurocética do seu Partido Conservador, mas irritou os parceiros eurófilos do Partido Liberal Democrata, cujo líder, o vice-premiê Nick Clegg, se manteve ostensivamente ausente no debate parlamentar. Cameron, porém, insistiu que não haverá rompimento da coalizão, o que inviabilizaria a aprovação de importantes medidas de austeridade destinadas a reduzir o déficit público britânico.
Em declarações a jornalistas, Clegg criticou novamente o isolamento britânico em relação à Europa, e disse que não foi ao Parlamento para evitar que suas divergências com Cameron desviassem as atenções do debate.
A popularidade dos liberal-democratas caiu pela metade desde a última eleição, ficando em cerca de 10 por cento, e Clegg sabe que a convocação de uma eleição antecipada, em caso de rompimento da coalizão, representaria o fim da passagem do partido pelo poder.
Em sua fala ao Parlamento, Cameron disse que a Grã-Bretanha pode ser um membro "pleno, comprometido e influente" da UE, mas que não participará de arranjos que não protejam os interesses britânicos. "Estamos na UE e queremos estar", afirmou.
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Ele acrescentou que as alternativas disponíveis eram aceitar um tratado sem salvaguardas adequadas ao setor financeiro britânico, ou rejeitar totalmente o acordo. "(Rejeitá-lo) não foi algo fácil de fazer, mas foi a coisa certa."
O primeiro-ministro acrescentou que Londres pretende participar ativamente nos próximos meses no debate sobre se os países aderentes do novo tratado poderão usar as instituições da UE que se destinam a todos os seus 27 membros.
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