Grécia rejeita plano de ajuste devido a exigências trabalhistas dos credores

Entre as medidas exigidas estão a ampliação da semana de trabalho para seis dias, a redução das indenizações por demissões e o congelamento de salários

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Premiê grego, Antonis Samaras, pediu que coalizão aceite proposta de credores do país

A flexibilização do mercado de trabalho, medida exigida pelo trio de credores formado pelo Banco Central Europeu, pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, impediu nesta terça-feira mais uma vez que os três integrantes do governo grego chegassem a um acordo sobre o novo plano de ajuste de 13,5 bilhões de euros. "Não aceito as exigências da troika", manifestou hoje Fotis Kouvelis, líder do centro-esquerdista partido Dimar, um dos três que apoiam o governo do conservador Antonis Samaras.

"Nem os deputados do Dimar nem eu vamos votar a favor da eliminação dos direitos trabalhistas. As exigências da troika não têm nada a ver com a economia nas contas públicas", disse. A reunião de hoje entre Samaras, Kouvelis e o líder socialista Evangelos Venizelos foi mais uma desde o início das negociações com os credores.

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O encontro deveria ter ratificado finalmente um acordo sobre o plano de economia e as exigências para se fazer empréstimos internacionais, medidas que seriam depois enviadas ao Parlamento. No entanto, isso não ocorreu e, após a reunião com seus parceiros - à qual se seguiu outra com a equipe econômica do governo -, Samaras fez declarações à imprensa grega nas quais pediu a seus companheiros de coalizão que se mantenham unidos e aceitem as propostas da troika.

"Só aqueles que mostrarem coragem podem salvar a Grécia", afirmou o primeiro-ministro, acrescentando que as negociações com os credores continuarão. Segundo a imprensa grega, os três partidos do governo estão praticamente de acordo sobre o plano de economia, mas não sobre as medidas de flexibilização, as quais o partido dominante do executivo, o conservador Nova Democracia, incluiu em sua proposta.

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A flexibilização acrescentou cortes de pensões e salários públicos e novos impostos, embora os credores tenham insistido na necessidade de flexibilizar o mercado de trabalho. Entre as medidas exigidas estão a ampliação da semana de trabalho para seis dias, a redução das indenizações por demissões, a eliminação dos aumentos salariais por tempo de serviço e o congelamento dos salários até que o desemprego se situe abaixo de 10%.

"Se estas exigências forem aceitas haverá mais pobreza e mais desemprego", disse Kouvelis. Evangelos Venizelos também se mostrou contrário a modificar a legislação trabalhista, pois lembrou que "o custo do trabalho já foi reduzido significativamente" nos últimos anos. O líder afirmou que as negociações sobre o novo pacote precisam ser concluídas nos "próximos dias" porque seu "prolongamento significa sérios problemas de liquidez para o país".

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De acordo com o governo, os cofres públicos gregos dispõem de fundos até 16 de novembro. Por isso, o governo espera que, durante a reunião do Eurogrupo, em 12 de novembro, seja aprovado o desembolso de 31,5 bilhões de euros que fazem parte do empréstimo estipulado entre a Grécia, a UE e o FMI no início do ano. 

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