Fed não está ansioso para desfazer afrouxamento da política, diz Dudley

Representante do Fed de Nova York condiciona mudança à segurança na recuperação

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O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, não está ansioso para desfazer sua política de acomodação no primeiro sinal de notícias positivas sobre o crescimento econômico norte-americano, afirmou nesta segunda-feira o presidente do Fed de Nova York, William Dudley.

Dobrando sua aposta na grande ação de afrouxamento monetário do banco central dos Estados Unidos no mês passado, Dudley afirmou que a postura de política irá "evoluir" apenas se "ficarmos confiantes de que a recuperação está seguramente estabelecida".

"Consistentemente com isso, se vermos algumas boas notícias sobre o crescimento, eu não esperaria uma resposta de maneira precipitada", afirmou Dudley, um membro votante permanente do Comitê de definição de política do Fed e aliado próximo do chairman da autoridade monetária, Ben Bernanke.

Temores de que as ações de estímulo extraordinárias do Fed causarão bolhas em ativos financeiros ou inflação são inapropriados, disse Dudley à Associação Nacional para Economia Empresarial.

Ao manter as taxas de juros próximas de zero por quase quatro anos, o Fed lançou no mês passado um terceiro e enorme programa de compra de títulos para ajudar a impulsionar o frágil crescimento norte-americano e para ajudar a população voltar a trabalhar. Autoridades também disseram que o Fed manterá o afrouxamento da política por um "tempo considerável depois que a recuperação econômica se fortalecer", e preveem taxas de juros baixas até meados de 2015.

Desde então, tem crescido o debate sobre o que levaria o Fed a finalmente apertar a política, e os riscos que o Fed corre em aprofundar-se em território de políticas inexploradas.

Dudley afirmou que a capacidade do Fed de ajustar as taxas que paga aos bancos para depositarem seu dinheiro na autoridade monetária --chamada de juros sobre reservas excessivas-- "significa que podemos manter a inflação sob controle apesar do tamanho do nosso portfólio."

O Fed pode, teoricamente, aumentar essa taxa se quiser impedir um aumento na demanda por crédito. Isso não é um problema para o Fed agora.

O crescimento dos Estados Unidos esfriou no segundo trimestre para 1,3 por cento, e analistas não acreditam que a economia está expandindo muito mais rápido que isso. O desemprego --que ficou acima de 8,0 por cento por três anos e meio-- caiu acentuadamente para 7,8 por cento em setembro, mas analistas dizem que o crescimento não é forte o suficiente para que isso seja sustentável.

"Na minha visão, embora os custos (de estímulo) sejam reais e precisem ser cuidadosamente avaliados, eles são ofuscados pelos custos de não atingir uma recuperação econômica sustentável", disse Dudley em hotel no centro de Manhattan. "Uma falha nessa questão levaria a um desemprego crônico generalizado."

(Reportagem de Jonathan Spicer)

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