FMI e Banco Mundial defendem criação de emprego como medida contra pobreza

Projeções indicam que, até 2020, será preciso criar 600 milhões de empregos; organismos alertaram para piora das condições nos países em desenvolvimento por causa da crise

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial disseram neste sábado em Tóquio que a criação de emprego deve ser usada como "motor de redução da pobreza" e alertaram para a piora das condições nos países em desenvolvimento por causa da crise. "As crises financeiras implicam menos postos de trabalho em locais onde se necessitam milhões", afirmou hoje um comunicado do Comitê de Desenvolvimento dos organismos, emitido ao término das principais reuniões da assembleia anual do FMI e do Banco Mundial.

Para o Comitê, formado por 25 membros que representam todos os países integrantes do Banco Mundial e do FMI, a chave reside em "impulsionar uma transformação" para criar emprego como "motor da redução da pobreza", especialmente entre os mais jovens e as mulheres. Segundo estimativas do órgão, cerca de 200 milhões de pessoas se encontram "formalmente desempregadas" no mundo, com uma grande incidência, de aproximadamente 75 milhões, entre jovens menores de 25 anos, e se espera que até 2020 seja preciso criar 600 milhões de empregos.

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Em seu Relatório sobre Desenvolvimento para 2013, o Banco Mundial estima que exista no mundo cerca de três bilhões de pessoas empregadas, mas apenas 1,6 bilhão dispõem de salários estáveis, enquanto o resto desempenha trabalhos agrícolas, em pequenas empresas familiares ou temporários. Neste sentido, o Comitê pediu hoje ao Banco Mundial que continue "apoiando os países a consolidar um entorno que propicie a criação de emprego", levando em conta as dificuldades específicas de cada país e sabendo que "não existe uma fórmula mágica".

O presidente do Banco Mundial, o americano Yim Jong Kim, defendeu "um claro fluxo de ideias do norte e do sul sobre como aplicar de maneira mais efetiva serviços aos mais necessitados", sobretudo em um "entorno econômico duro e muito desconcertante", piorado pela crise econômica atual. Kim, que assumiu em julho seu cargo no Banco Mundial, destacou a situação da América Latina, África e Ásia e disse esperar que os "impressionantes lucros" conseguidos pela última geração na região não se percam.

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Em sua opinião, manter o crescimento nos países em desenvolvimento é de "interesse comum", depois que nos últimos anos o PIB da região significou mais da metade do gerado em mundo todo. Segundo o organismo, a necessidade de ajuda em relação ao emprego aumentou sobretudo em meio à crise financeira, o que se refletiu em um aumento de US$ 7,14 bilhões em créditos de cerca de 100 países para o setor trabalhista entre 1998 e 2011.

Kim afirmou também que os fundos da instituição respondem "à demanda" atual, e assegurou que o organismo se encontra em uma "situação financeira muito boa". A diretora-gerente do FMI, a francesa Christine Lagarde, afirmou que as altas taxas de desemprego, "aterrorizadoras" em alguns países, e a criação insuficiente de emprego, especialmente entre os mais jovens, são uma "ameaça" global.

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Para o FMI, o atual ritmo de crescimento em nível mundial é insuficiente para criar os postos de trabalho necessários no mundo. Lagarde classificou a criação do emprego como um dos grandes desafios atuais. Além do desemprego, o Comitê de Desenvolvimento apontou a necessidade de se conseguir "a equidade de gênero" como um fator chave para reduzir a pobreza e a necessidade de manter o apoio para os países onde a desigualdade persiste. 

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