BCE não pode cortar, sozinho, juro de periféricos, diz Japão

Integrante do BC japonês declarou que ainda é preciso aguardar a melhora nas condições que criaram um "círculo vicioso" entre governos e o setor bancário

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Sayuri Shirai, integrante da diretoria do Banco do Japão (BoJ, o banco central do país), disse nesta sexta-feira que o Banco Central Europeu (BCE) não pode, sozinho, continuar a reduzir o yield (retorno ao investidor) dos países periféricos da zona do euro, na medida em que os investidores continuam a exigir prêmios mais altos.

"Como os investidores estão cada vez mais preocupados com os riscos, é extremamente difícil manter a queda do yields dos títulos desses governos apenas com a ajuda do BCE", afirmou Shirai, um dos nove membros da diretoria do BoJ, durante seminário realizado pelo Instituto do Banco de Desenvolvimento Asiático. Ela declarou que ainda é preciso aguardar a melhora nas condições que criaram um "círculo vicioso" entre governos e o setor bancário, que estão apresentando impacto negativo na economia real.

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Em setembro, o BCE informou que vai comprar quantidades ilimitadas de bônus da Espanha e de outros países da zona do euro que enfrentem altos custos de endividamento, contanto que esses países peçam ajuda do fundo de resgate do bloco e concordem com a supervisão internacional para suas políticas fiscal e econômica.

Crédito

Shirai elogiou o fato de o BCE exigir condições para a oferta de ajuda, dizendo que "trata-se de uma medida sem precedentes". Ela também afirmou que o estímulo monetário acomodatício não levou ao aumento da concessão de crédito na zona do euro, no Japão e nos EUA, ao mesmo tempo em que a transmissão do mecanismo para a economia real, por meio de política monetária, tem sido confusa na Europa.

Ela afirmou que os efeitos da crise da dívida na Europa sobre o setor financeiro japonês foram limitados e que a fraca demanda por dinheiro no Japão deriva não apenas de elementos cíclicos da economia, mas também de fatores estruturais como o rápido envelhecimento da população. "Quando examinamos a eficiência da política monetária, é cada vez mais importante distinguir entre esses dois fatores", declarou Shirai. As informações são da Dow Jones.

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