Ausência de Zhou Xiaochuan acontece em meio à deterioração nas relações entre China e Japão devido às reivindicações de soberania sobre algumas ilhas no mar da China Oriental

Reuters

O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou nesta quarta-feira que o presidente do banco central da China não vai liderar a delegação chinesa na reunião do FMI esta semana no Japão, no que parece ser uma afronta ao país anfitrião.

A ausência de Zhou Xiaochuan acontece em meio à deterioração nas relações entre China e Japão devido às reivindicações de soberania sobre algumas ilhas no mar da China Oriental.

A disputa tem sido marcada por protestos violentos e por pedidos de boicote a produtos japoneses na China. Montadoras japonesas de automóveis, incluindo a Toyota Motor, relataram quedas nas vendas no maior mercado mundial do setor.

"Fomos informados há dois dias que a agenda do presidente Zhou podia forçá-lo a cancelar sua palestra em Tóquio", disse um porta-voz do FMI. "Agora foi confirmado que seu vice, Yi Gang, irá representá-lo."

Zhou estava programado para fazer uma palestra de destaque no encerramento do evento, no domingo.

Uma autoridade do governo japonês disse que a ausência de Zhou seria "lamentável".

A informação passada pelo FMI confirma reportagem da agência de notícias estatal chinesa Xinhua, na terça-feira, dizendo que a delegação da China não seria conduzido pela maior autoridade do setor de finanças do país.

De acordo com o protocolo chinês, apenas as autoridades mais graduadas geralmente lideram essas viagens. A delegação da China será liderada por Yi Gang, vice-chefe do Banco Popular da China (banco central), e o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao, informou a Xinhua.

O grupo de ilhas disputado, chamado de Senkaku no Japão e Diaoyu na China, está localizado perto de ricas áreas de pesca e potencialmente enormes reservas de petróleo e gás. Taiwan também afirma sua soberania sobre as ilhotas desabitadas.

O Japão recebe em 2012 as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial pela primeira vez em quase meio século.

"Se ele (Zhou) não está vindo, é lamentável que um representante das autoridades chinesas não participe deste importante encontro internacional em Tóquio. Em todos os eventos, a relação econômica entre Japão e China é muito importante e o Japão vai continuar a se comunicar com a China a partir de um ponto de vista mais amplo", disse uma autoridade do governo japonês.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, disse em Tóquio na quarta-feira que tinha grande esperança de que Japão e China iriam encontrar uma maneira de cooperar no futuro.

Os governos do Japão e China trocam palavras cada vez mais afiadas na disputa territorial. Os dois países também enviaram barcos de patrulha para águas próximas às ilhas, aumentando as preocupações de que uma colisão acidental ou outro incidente poderiam se transformar em um amplo confronto.

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