França estabelece corte de déficit com aumento de impostos

Com a dívida pública num recorde pós-guerra de 91% da economia, o orçamento é vital para a credibilidade da França, não apenas entre os parceiros da zona do euro, mas também nos mercados

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O governo socialista do presidente francês François Hollande revelou fortes aumentos de impostos para empresas e ricos nesta sexta-feira, num orçamento para 2013 visando a mostrar que a França tem o rigor fiscal para continuar no núcleo da zona do euro.

O pacote irá recuperar 30 bilhões de euros para os cofres públicos, com a meta de estreitar o déficit para 3% da produção nacional do ano que vem em relação aos 4,5% - o aperto fiscal mais duro da França em 30 anos.

Mas com desemprego recorde e uma série de dados apontando para estagnação da economia, há temores de que a meta de déficit não será atingida, uma vez que a França está aquém da modesta taxa de crescimento econômico de 0,8% que espera para o ano que vem.

O orçamento também irá decepcionar lobistas pró-reforma ao apenas congelar o alto gasto público da França em vez de ousar atacar orçamentos ministeriais como a Espanha fez numa tentativa de evitar as condições de um resgate internacional.

"Esse é um orçamento de combate para colocar o país de volta nos trilhos", afirmou o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, acrescentando que a meta de crescimento de 0,8% é "realista e ambiciosa".

"É um orçamento que busca trazer a confiança de volta e romper essa espiral de dívida, que fica cada vez maior."

Com a dívida pública num recorde pós-guerra de 91% da economia, o orçamento é vital para a credibilidade da França, não apenas entre os parceiros da zona do euro, mas também nos mercados, que estão por enquanto permitindo que o país tome empréstimos a yields numa mínima recorde, abaixo de 2%.

O governo afirmou que o orçamento é a primeira de uma série de ações para diminuir o déficit para 0,3% do PIB em 2017 - não atingindo a meta anterior de zero para esse período.

Dos 30 bilhões de euros em economias, aproximadamente 20 bilhões virão de aumentos de impostos para famílias e empresas, com aumentos já aprovados este ano contribuindo com cerca de 4 bilhões nas receitas em 2013. O congelamento nos gastos irá contribuir com aproximadamente 10 bilhões de euros.

Para desânimo de líderes empresariais que teme um êxodo de talentos, o governo confirmou um taxa temporária de 75% para receitas acima de 1 milhão de euros e uma nova taxa de 45 por cento para receitas acima de 150 mil euros.

Juntas, essas duas medidas renderão cerca de meio bilhão de euros. Taxas mais altas sobre dividendos e outros investimentos, mais reduções em isenções fiscais garantirão mais alguns bilhões.

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