Medida do Banco Central americano prejudicará a China, dizem especialistas

Injeção de recursos na economia americana vai causar pressões inflacionárias na China e terá um efeito limitado na recuperação dos Estados Unidos, apontam pesquisadores

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Pesquisadores de instituições estatais chinesas reagiram negativamente ontem à terceira rodada de relaxamento quantitativo anunciada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quinta-feira, dizendo que o chamado QE3 (nas siglas em inglês) vai causar pressões inflacionárias na China e terá um efeito limitado na recuperação da economia real dos Estados Unidos.

O banco central americano anunciou que vai comprar US$40 bilhões por mês em títulos lastreados em hipotecas emitidos por agências do governo, em um programa sem previsão de término, e que planeja manter os juros de curto prazo próximos a zero até pelo menos meados de 2015. Segundo o presidente do Fed, Ben Bernanke, o estímulo só será retirado quando a economia dos EUA reagir.

As medidas de estímulo do Fed sempre causaram polêmica na China. A segunda rodada (QE2), lançada em novembro de 2010, foi muito criticada por formuladores de políticas e formadores de opinião chineses, que citaram preocupações com a inflação e bolhas no setor imobiliário e outros ativos, geradas pelo aumento dos fluxos de capital para o país. Os primeiros sinais são de que o QE3 também não será bem recebido na China.

Wang Guogang, diretor-geral do Instituto de Finanças e Bancos, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que a atitude do Fed é "irresponsável com a economia global". Ele prevê que a desvalorização do dólar vai corroer o valor dos títulos do Tesouro americano em posse da China. "O QE3 vai definitivamente afetar vários países, especialmente nações como a China, que detém um grande volume de ativos denominados em dólar", comentou Wang.

Já Zhang Monan, pesquisadora do Centro Estatal de Informações, instituto de pesquisa da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a principal agência de planejamento econômico da China, prevê uma repetição das pressões sobre os ativos verificadas em 2010 e 2011. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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