A crise econômica faz suas vítimas e promete mudar o cenário político na Europa. Ontem, o Reino Unido foi às urnas com a projeção de queda do governo de Gordon Brown.

A crise econômica faz suas vítimas e promete mudar o cenário político na Europa. Ontem, o Reino Unido foi às urnas com a projeção de queda do governo de Gordon Brown. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel ameaça ser castigada no domingo em eleições regionais por eleitores irritados com a ideia de pagar para socorrer a Grécia. Na Espanha, o governo de Jose Luis Zapatero foi obrigado a fechar um pacto com a oposição, o mesmo ocorrendo em Portugal. Na Grécia, o governo socialista é acusado de ter tomado as maiores medidas antissociais dos últimos 30 anos. Comentaristas mais cínicos na imprensa europeia vêm alertando que o futuro da Grécia não será decidido nas ruas de Atenas ou por coquetéis molotov, mas pela lógica eleitoral na Alemanha. Domingo, as eleições regionais podem mudar a situação do governo de Merkel. Se não garantir uma maioria, perderá apoio no Bundesrat (Senado) e a capacidade de aprovar novas leis. Pesquisas de opinião vêm indicando que a população não quer pagar pelo socorro aos gregos. Dos 110 bilhões que a UE e o FMI darão a Atenas, 22 bilhões vêm dos cofres alemães. Hoje, o Parlamento Alemão votará o pacote aos gregos, o que obrigou Merkel a passar o dia de ontem em negociações com partidos de oposição. Uma das ideias é de que as exigências aos gregos sejam ainda mais duras. Mas o pleito no domingo fará parte dos cálculos. O partido social-democrata já indica que vai se abster. Uma pesquisa de opinião mostrou que a coalizão conservadora de Merkel perdeu apoio em todo o país desde que a Grécia pediu ajuda. Segundo a agência de pesquisa Forsa, o partido de Merkel caiu 2 pontos porcentuais em apenas uma semana. Em poucos dias, o número de pessoas que acham que a crise está sendo bem gerenciada na Alemanha caiu de 48% para 41%. No Reino Unido, Brown foi punido por eleitores que desaprovaram sua gestão da crise. A turbulência ameaça o Partido Trabalhista. Com uma queda de Brown, quem também perde é o governo socialista de Zapatero, na Espanha. Brown vinha sendo aliado de Madri na apresentação de propostas para regular o mercado financeiro. Se nos fóruns internacionais Zapatero perde aliados, internamente é obrigado a fechar um pacto com a oposição para tentar tirar a economia espanhola da recessão. Pesquisas de opinião mostram que 80% dos espanhóis acham que a crise não está sendo bem administrada.

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