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Crise: salvação virá dos países emergentes, principalmente da China

Os países emergentes, em particular a China, aparecem neste momento como os únicos capazes de trazer novo fôlego à economia mundial, substituindo neste papel os Estados Unidos, cujo poderio econômico encontra-se em franco declínio, apontam analistas em Londres.

AFP |

A onda de otimismo que trouxe um pouco de ar para os asfixiados mercados após os resgates financeiros em massa, anunciados por Estados Unidos, Grã-Bretanha e União Européia, não durou muito - as bolsas voltaram a despencar nesta quinta-feira, dominadas por temores de uma recessão econômica global.

O pânico diante de uma recessão na maior economia do mundo - que, segundo especialistas, cairá entre 1% e 2% em 2009, arrastando consigo a economia globalizada - atingiu também países emergentes como o Brasil, onde o real sofreu uma desvalorização de 3,2% na quarta-feira.

O Brasil pertence ao promissor grupo de mercados emergentes denominado 'Bric', que inclui também Rússia, China e Índia.

A moeda brasileira já perdeu mais de um quarto de seu valor desde o começo de agosto, enquanto outros emergentes pedem socorro para não afundar na crise: a Ucrânia, por exemplo, anunciou nesta quarta que pedirá ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Neste panorama de pânico e incertezas, poucos se atrevem a mostrar otimismo, limitando-se a esperar que a salvação para a economia mundial venha de nações em desenvolvimento como a China, que cresce a taxas médias de 10% ao ano.

"O crescimento da China oferece a melhor esperança para limitar os danos causados à economia global pela atual crise", estimou Vanessa Rossi, do departamento de Economia Internacional do centro de análises Chatham House, baseado em Londres.

Segundo a especialista, os países emergentes, liderados pela China, provavelmente continuarão crescendo, e podem até "chegar a dominar o ciclo econômico mundial".

As economias emergentes são "suficientemente grandes e suficientemente ligadas entre si, além de bem sucedidas na promoção de políticas para estimular o crescimento, para conseguir sustentar seu próprio crescimento, em um contexto de recessão nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos".

Rossi indica, por exemplo, que os exportadores asiáticos que desviaram seu foco de atenção dos Estados Unidos para a China foram os que menos sentiram a queda das importações da primeira economia do mundo.

Jim O'Neill, economista chefe da Goldman Sachs, afirma por sua vez que Brasil, Rússia, Índia e China serão os motores para sair da crise.

"Os Brics podem mostrar a saída para a crise", disse o analista, primeiro a cunhar o termo para agrupar os quatro países.

Para O'Neill, "o consumo nos Brics será capaz de compensar a desaceleração nos Estados Unidos".

"Grande parte da demanda continua sendo criada no seio dos Brics, principalmente na China", destacou.

O deslocamento do poder econômico para a China também tem a ver com o fato de Pequim ter armazenado reservas em dinheiro (que hoje são as maiores do mundo) após a crise financeira asiática de 1997.

E as reservas chinesas continuam aumentando: no fim de setembro, alcançaram 1,9056 trilhão de dólares, segundo cifras oficiais.

Não por acaso um país como o Paquistão, que sempre procurou apoio nos Estados Unidos, não foi bater às portas de Washington desta vez em busca de ajuda, mas sim nos portões de Pequim, onde está o dinheiro agora.

O Financial Times informou na terça-feira que o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, tentaria obter dos chineses um empréstimo entre 500 milhões e 1,5 bilhão de dólares para superar a crise financeira atual.

O pedido teve resposta nesta quinta-feira: mesmo sem especificar o montante, a China se comprometeu a ajudar Islamabad a evitar o desastre financeiro.

ame/ap/sd

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