Belo Horizonte, 28 - A escassez e o encarecimento do crédito, devido ao agravamento da crise financeira global, devem provocar o adiamento de 16 dos 30 projetos de instalação de usinas de açúcar e álcool protocolados junto ao governo de Minas. A informação é do presidente do Sindicato da Indústria da Fabricação de Álcool e Açúcar no Estado de Minas Gerais (Sindaçúcar/Siamig), Luiz Custódio Cotta Martins.

De acordo com ele, o setor sucroalcooleiro é intensivo em capital, tanto para financiar o giro das usinas - a moagem da cana ocorre em seis meses e a comercialização se dá ao longo de um ano -, quanto para financiar as exportações, como é o caso do açúcar. "Se as fontes de financiamento interno e externo secam, os grupos podem começar a se endividar", explica.

Por conta da dificuldade de acesso ao crédito, o presidente do Sindicato acredita que os projetos ficarão em "stand by", podendo ser retomados, quando as linhas de financiamento voltarem ao mercado. "Estes projetos são aqueles em que os empreendedores ainda não haviam investido em viveiros de muda ou encomendado os equipamentos". O restante dos empreendimentos, de acordo com ele, não deverá ser afetado.

Projeções

Antes da crise, as projeções da entidade eram de que o Estado atingiria uma produção de 100 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2014; que poderiam levar a um volume de 5,5 bilhões de litros de álcool e 4,9 milhões de toneladas de açúcar. Com a interrupção dos projetos, esta meta não deverá ser alcançada. No entanto, ele acredita que a maioria dos empreendimentos poderá ser retomada. "As perspectivas de mercado são boas, tanto para o álcool quanto para o açúcar", pondera. Conforme Martins, o consumo de álcool continua crescente e a demanda por açúcar no mercado internacional também é promissor, principalmente em países emergentes, como a China e Índia.

Minas Gerais poderá atingir ainda este ano a segunda colocação entre os maiores produtores de cana do país e ultrapassar o Paraná, segundo as estimativas do Sindicato. Ele prevê que a moagem da cana do Estado se estenda até o mês de janeiro, dependendo da intensidade das chuvas.

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