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RIO - A crise financeira internacional pode alterar a expectativa de queda na participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na fatia de investimentos para o setor elétrico. A opinião é de Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pela Sondagem sobre tendências do setor elétrico, apresentada hoje no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008).

Na pesquisa, respondida por 15 entidades ligadas ao setor, os agentes apostaram, em sua maioria, que o volume de investimentos necessário para os próximos anos poderá exceder os recursos do Banco disponíveis para energia elétrica. Na enquete, 53,3% dos entrevistados apostaram nesta possibilidade.

Na sondagem, apenas 13,3% afirmaram que o BNDES será capaz de financiar a maior parte dos investimentos necessários, enquanto 33,3% ponderaram que a disponibilidade de crédito pode ser uma ameaça para a expansão do sistema.

"O custo do financiamento vai ser maior e possivelmente as empresas vão ter que recorrer mais ao BNDES porque a necessidade de investimento para o empreendedor vai aumentar na medida em que as condições do financiamento interno vão estar prejudicadas por essa crise", frisou Castro.

O especialista acredita que a turbulência econômica pode, em breve, ter como conseqüência um pleito do setor elétrico para aumentar a participação do banco de fomento em um financiamento para o setor, hoje restrita a 70%.

Para Castro, o principal efeito da crise sobre os financiamentos para o setor elétrico pode ser a queda de instrumentos como FIDCs, debêntures e vendas de ações como ferramentas de financiamento, compensada por uma busca maior pelo BNDES. A expectativa para 73,3% dos entrevistados é de que os financiamentos para o setor fiquem mais caros entre 2009 e 2012.

Apesar de 60% dos entrevistados terem afirmado que o impacto da crise sobre a economia brasileira vai ser negativo, 86,7% disseram que a influência das condições macroeconômicas do país sobre o setor elétrico será regular ou positiva entre 2009 e 2012.

"No geral, os agentes econômicos estão vendo o setor elétrico de uma maneira muito positiva. Porque o cenário econômico mundial vai afetar a economia brasileira, mas não vai afetar negativamente o setor elétrico. É como se o setor elétrico estivesse blindado em relação a crise externa, porque as empresas têm endividamento basicamente em moeda nacional e porque o faturamento esperado para o setor elétrico é acima da inflação", diz Castro, acrescentando que nenhum entrevistado espera uma alta de faturamento menor que a inflação entre 2009 e 2012.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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