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MINAS GERAIS - A crise nas empresas de ferro-gusa - matéria-prima para a fabricação do aço - em Minas Gerais já levou à paralisação de 80% dos altos-fornos instalados no Estado, segundo informou nesta terça-feira o presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro (Sindifer), Paulino Cícero. Minas responde por quase 70% da produção brasileira e o setor sofre os reflexos imediatos e mais intensos da turbulência global, que paralisou as exportações e diminuiu a demanda interna.

A diretoria do Sindifer se reuniu nesta terça com o governador Aécio Neves e solicitou medidas para minimizar o impacto da crise no setor. "Dos 108 fornos existentes no Estado na produção de gusa, apenas 20% encontram-se em operação", disse Cícero, ao deixar o encontro.

Com capacidade instalada de 8 milhões de toneladas anuais, o pólo guseiro de Minas responde por quase 70% da produção brasileira. O presidente do Sindifer destacou que as empresas estão sentindo principalmente a paralisação das encomendas para o exterior. Metade da produção mineira de ferro-gusa é exportada, principalmente para os mercados da Europa e Ásia, além de países da América do Sul. "Essa fonte do mercado externo, internacional, secou. Não tem nenhuma venda feita para janeiro, fevereiro ou março".

No mercado interno, as empresas sofrem o reflexo da redução do consumo de ferro-gusa de fundição nas montadoras de automóveis. "No mercado interno nós trabalhamos 'low profile', mais lentamente".

Cícero confirmou que pelo menos 2,3 mil empregos diretos - de um total de 20 mil - já foram reduzidos somente na região de Sete Lagoas, que concentra 40% do volume produzido. Outros 1,2 mil funcionários das fábricas de gusa estão em férias coletivas no Estado.

Pacote

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Raphael Guimarães informou que será criado um grupo de trabalho para estudar a adoção de um pacote de medidas para aliviar o impacto da crise no setor guseiro. O secretário, porém, não adiantou quais medidas podem ser adotadas.