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Crise no Japão vai impulsionar energia renovável, dizem analistas

São Paulo, 29 - O acidente nuclear provocado pelo terremoto no Japão e a guerra civil na Líbia devem acelerar o movimento de expansão da energia renovável no mundo, de acordo com especialistas ouvidos pela Agência Estado

AE |

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São Paulo, 29 - O acidente nuclear provocado pelo terremoto no Japão e a guerra civil na Líbia devem acelerar o movimento de expansão da energia renovável no mundo, de acordo com especialistas ouvidos pela Agência Estado. O professor e físico nuclear José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP) disse que, em relação ao Japão, a necessidade de melhoria nas condições de segurança das usinas nucleares irá elevar os custos e tornar a energia nuclear muito cara, possibilitando que novas fontes renováveis sejam utilizadas. Ele ressalta o fato que na Alemanha, a primeira-ministra Angela Merkel fechou várias usinas nucleares e, na China, o governo cancelou a licença para construção de sete usinas. Tanto os Estados Unidos como a Europa possuem utilização mandatória de energia renovável, com volumes expressivos a serem cumpridos ainda nesta década. Até 2017, a meta dos EUA é atingir um consumo de 132,5 bilhões de litros por ano de etanol. Na Europa, o objetivo é chegar a 2020 com 20% de sua energia oriunda de fontes renováveis. Porém, para Goldemberg, em um primeiro momento, o Japão e a China devem substituir a energia nuclear por outros combustíveis fósseis. "O Japão já está importando gás natural da Rússia, mas esta importação deve ficar cara no longo prazo", disse. Já a China deve voltar para o carvão ou também para o gás natural. Eduardo Pereira de Carvalho, sócio da Expressão Gestão Empresarial e ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), ressalta que novas usinas geradoras de energia nuclear deverão encontrar dificuldades para serem autorizadas e que a energia renovável é uma alternativa no longo prazo. "O petróleo também é um ativo de risco. Veja o que está acontecendo na Líbia neste momento. Hoje, cerca de 70% do petróleo consumido no mundo vem do Oriente Médio. A saída é a utilização de alternativas viáveis e de menor concentração regional", acredita Carvalho. "Não adianta queimar petróleo agora para fazer eletricidade, porque o petróleo também não é uma fonte energética totalmente garantida", disse. Carvalho era presidente da Unica no início desta década, quando a empresa responsável pela usina nuclear de Fukushima, a Tokyo Eletric Power (Tepco) veio ao Brasil conhecer o etanol. A empresa estudou a importação de etanol brasileiro para gerar eletricidade no Japão. "Naquele momento, os custos da operação pesaram um pouco", disse o executivo. O economista Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria, acredita que as restrições que serão colocadas a partir de agora à energia nuclear abrirão uma janela para as energias renováveis. "Haverá um afastamento gradual da energia nuclear", disse. Para ele, os países irão caminhar em direção à energia solar, eólica e biomassa. "Enquanto a energia eólica não é uniforme e a solar é mais cara, a biomassa pode ser considerada se houver um suprimento regular garantido". Nastari estima que o Japão pode ser um importador de pelets de biomassa de outros países e mesmo de pelets de bagaço de cana do Brasil, por exemplo. Países como França e EUA, que dependem muito da energia nuclear, também terão que buscar outras alternativas. O professor Goldemberg conta que a Europa deve abarcar a energia renovável mais facilmente que o Japão. "Já existem várias experiências com energia eólica e solar na Espanha". Segundo ele, a empresa sueca Vattenfall também está importando pelets de madeira do Brasil para produzir energia a partir da queima desta biomassa. "A Alemanha também deve partir para a eólica", acredita.

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