RIO - A crise financeira não afetou as vendas do comércio varejista em setembro. O volume de vendas subiu 1,2% em relação a agosto, o melhor resultado para a comparação com ajuste sazonal desde o 1,6% de março.

"Até setembro, o crédito ainda era farto, a renda e a massa salarial aumentavam assim como o emprego formal", ressaltou Reinaldo Pereira, coordenador de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o técnico, a única surpresa negativa ficou por conta dos hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, grupo que teve alta de 0,9% no confronto com agosto. "Em setembro, a inflação dos produtos alimentícios já tinha passado e por isso esperávamos um resultado melhor", comentou.

Em comparação com setembro de 2007, o grupo de hiper e supermercados foi o único a subir a um ritmo abaixo da média de 9,4% do volume de vendas do comércio varejista. A elevação de 1,4% desse grupo foi bem menor do que 50,6% de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação ou dos 21,3% de móveis e eletrodomésticos.

Para os próximos meses, Pereira não acredita que a crise terá uma influência tão forte sobre o comércio uma vez que o governo tem tomado medidas a fim de garantir o crédito para o consumo no mercado interno.

"Para medir os impactos da crise, teremos que ver os resultados de outubro e novembro, mas, em novembro, já há a antecipação das vendas de Natal. Acredito que em 2008 nossa pesquisa não vai ter um impacto tão grande da crise por causa do Natal", observou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.