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Crise mundial atinge com força a economia japonesa

Jairo Mejía. Tóquio, 16 fev (EFE).- O Japão sofreu no último trimestre de 2008 a queda econômica mais abrupta entre os países desenvolvidos, quando seu Produto Interno Bruto (PIB) se contraiu no maior ritmo registrado desde 1974.

EFE |

A economia japonesa perdeu força entre outubro e dezembro pelo terceiro trimestre consecutivo em termos reais, com um retrocesso de 12,7% em relação ao mesmo período de 2007 e de 3,3% com relação ao trimestre anterior, sobretudo por causa de uma demanda externa especialmente baixa.

Outras economias do grupo dos países ricos, como a dos Estados Unidos - com uma queda de 1% nos últimos três meses - ou a da Eurozona - com uma contração de 1,5% - não sofreram tanto no último trimestre do ano passado.

Definitivamente, a recessão se consolidou no Japão, com um crescimento negativo no conjunto de 2008 de 0,8%, resultado registrado pela primeira vez em sete anos, e com previsões ainda mais negativas para 2009, quando se prevê uma queda de 2%.

A redução da demanda mundial e a desvalorização do iene tiveram um efeito multiplicador negativo para o Japão e fizeram com que as exportações, responsáveis por 20% do PIB, caíssem 13,9% no último trimestre de 2008.

A vertiginosa redução da demanda internacional, especialmente na área de eletrônicos e de automação, diminuiu em três pontos percentuais o PIB dos três últimos meses do ano passado.

No mesmo período a demanda interna - componente essencial de 55% do PIB do Japão - se retraiu.

A velocidade com a qual a economia japonesa perde força chamou a atenção dos analistas, que também viram nos últimos meses de 2008 como diminuíram os investimentos de capital (5,3%), do setor imobiliário (5,7%) e do setor público (0,6%).

Neste panorama, a produção industrial caiu em dezembro 9,8% com relação ao mês anterior, o que se transforma na maior queda desde 1953, ano no qual o indicador começou a ser publicado.

As empresas japonesas sofreram como nunca antes a diminuição do consumo dos EUA e da Europa, a que começaram a se juntar as economias emergentes, algo que não acontecia desde a crise asiática de 1997 ou a crise mundial do petróleo de 1974.

As inúmeras informações pessimistas levaram o ministro de Economia do Japão, Kaoru Yosano, a reconhecer que seu país enfrenta a pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial, com uma balança comercial perdendo seu tradicional superávit.

Yosano, assim como outros membros do Governo, acreditam que a receita para a crise passa por iniciar mudanças estruturais e estimular a economia com investimentos públicos e ajudas.

O Governo do Japão tentou frear a forma que a crise está tomando com duas ampliações orçamentárias antes que termine o ano fiscal de 2008, em abril, para assim fornecer liquidez aos consumidores e às empresas com urgência.

Além disso, o Estado fornecerá fundos no valor de três trilhões de ienes (US$ 32,62 bilhões) para reverter os prejuízos dos grandes exportadores do Japão, enquanto o Banco do Japão se encarregará de comprar dívida de empresas e de ajudar o setor financeiro japonês.

Segundo matéria publicada hoje pelo jornal "Japan Times", o Gabinete poderia ampliar o estímulo com um plano adicional de 20 trilhões de ienes (US$ 217,5 bilhões) para o ano fiscal de 2009.

O Governo do primeiro-ministro Taro Aso, que vive seus dias de popularidade mais baixa inclusive dentro de seu partido, deve fechar um orçamento recorde para o exercício de 2009 para depois convocar eleições gerais.

A oposição acusou o governante Partido Liberal Democrata de usar os pacotes de ajuda como arma eleitoral, o que obrigará Aso a se esforçar para não ser obrigado a antecipar o pleito previsto para setembro.

O aumento do desemprego em um país onde o emprego é por tradição um vínculo vitalício e as medidas de corte de gastos e de postos de trabalho tomadas pelas grandes multinacionais para resistir à crise aumentaram a desconfiança dos cidadãos. EFE jmr/fal

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