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Crise mundial afetará movimentação de cargas até 2010, diz VKS

Um estudo desenvolvido pela consultoria VKS Partex Engenheiros revela que a crise mundial trará reflexos para a movimentação de cargas do País até pelo menos 2010. Porém, a partir daí, a previsão de crescimento no Comércio Exterior brasileiro continua a mesma traçada antes da turbulência no mercado global.

Agência Estado |

Em avaliação feita no começo do ano, a VKS previa que o Brasil encerraria 2008 com 820 milhões de toneladas negociadas na corrente comercial, projetava uma movimentação de 874 milhões de toneladas para o próximo ano e 935 milhões para 2010. No entanto, após o colapso financeiro, a consultoria reduziu significativamente suas expectativas, para 781 milhões de toneladas esse ano, 819 milhões em 2008 e 875 milhões em 2010.

"O modelo na versão anterior foi aperfeiçoado com a incorporação de alguns 'drivers', sendo o principal deles a variação do PIB Chinês. O modelo anterior partia de uma estimativa de mercado do World Container Throughput (valor este que é conhecido em geral com dois anos de atraso) em função do extenso levantamento global necessário. Desta forma, nossa previsão anterior partia de taxas de crescimento anual de 8,5% até 2.010", afirmou um dos diretores da VKS, o engenheiro Marcos Vendramini, explicando que o novo modelo considera taxas de crescimento de 7% ao ano até 2010.

No entanto, a consultoria manteve os mesmos índices de crescimento de antes da crise para a próxima década. "O PIB chinês variou em média 15,65% anualmente entre 2001 e 2007. Com a crise estimamos (Outlook do FMI de out/2008 entre outras fontes) que caia para 8,7% médios anualmente até 2010 (quase a metade da média dos últimos cinco anos), ascendendo novamente para 9,72% médios anualmente até 2015 e 11,4% anualmente de 2016 até 2020". Com isso, a expectativa é que o Brasil comercialize 1,280 milhão de toneladas em 2015 e 1,700 milhão em 2020. "Uma taxa de crescimento anual de 7% entre 2011 e 2015 e 6% entre 2016 e 2020", completa Vendramini.

O estudo está fundamentado em informações de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Já a retomada a partir de 2010 se baseia nas previsões da China e da Ásia - uma vez que atualmente a Ásia é a origem de 61% do fluxo de carga das principais rotas comerciais mundiais.

Porto de Santos

Com sede em Santos, a VKS acredita que, com ou sem crise, a cidade continuará sendo a principal porta de entrada e saída do comércio exterior brasileiro - de janeiro a setembro, o Porto de Santos correspondeu a 24,4% do total nacional em valores financeiros, segundo dados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). "Tudo vai depender de que maneira a crise vai atingir a China, que é a locomotiva.

O primeiro impacto quem está sentindo é a Vale (Companhia Vale do Rio Doce), porque as pessoas não param de comer no dia seguinte, mas param de trocar de carro ou comprar geladeira nova", explica Vendramini, que acredita, porém, que o segundo impacto será sobre as commodities agrícolas. "Se a China reagir cortando commodities agrícolas, Santos e Paranaguá vão sentir, mas a vantagem do Porto de Santos é que por trabalhar com mix de carga muito amplo, você dilui o risco de alguns mercados", completa.

O consultor afirma que, apesar de o crescimento da movimentação de contêineres diminuir de um modo geral com a turbulência dos mercados, a importância do Porto de Santos no total nacional continuará a mesma. "Ao longo dos últimos 13 anos, Santos foi responsável por aproximadamente 37,5% dos TEUs (unidade equivalente a contêineres de 20 pés), movimentados no Brasil. Eu acredito que essa porcentagem continua porque o contêiner depende da área de inserção do porto, e não tem no País região melhor que Santos". Segundo o estudo, o Brasil movimentará 7 milhões de TEUs em 2008 e 7,2 milhões em 2010. No caso de Santos, as projeções são de 2,61 milhões em 2008; e 2,66 milhões de TEUs em 2010.

Fôlego para infra-estrutura

Na contramão de muitas opiniões, Vendramini afirma que a crise é uma "oportunidade" e não é hora de se diminuírem investimentos no setor portuário. "O vale da curva é em 2009. O pior ano vai ser o ano que vem, mas depois melhora. Ao meu ver, este "slowdown" será benéfico para quem souber aproveitar a oportunidade, em especial governo, autoridades portuárias e operadores".

Ele afirma que toda a infra-estrutura de transporte nacional ganhou "novo fôlego" e mais tempo para preparar licenças, dragagens, expansões, aquisições de equipamentos. "São projetos que não teriam tempo com o insano ritmo de crescimento da demanda por infra-estrutura que vinha ocorrendo. Hoje o Porto de Santos trabalha com 85% da sua capacidade. Pelas minhas contas, o limite de 110 a 115 milhões de toneladas iria estourar em 2011, agora, vamos atingir lá para 2013".

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