Rio de Janeiro, 5 nov (EFE).- O Brasil se propõe a reduzir a oferta de frango para enfrentar a baixa demanda de seus principais clientes, disseram hoje empresários do setor.

"A recomendação é reduzir para fazer um ajuste e estar preparados para um cenário que ainda é incerto", disse o presidente-executivo da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef), Francisco Turra, à Agência Efe.

"Não temos clareza sobre o cenário futuro, nem sobre a extensão da crise. Percebe-se que os grandes mercados estão retraídos e não estão fazendo negócios para o primeiro trimestre de 2009", acrescentou.

A Abef e a União Brasileira de Avicultura (UBA) disseram hoje em comunicado conjunto que "o momento é de cautela" e que "é necessária uma redução na produção para evitar que ocorra um excesso de oferta de carne de frango".

"Não falamos em números. A idéia é não ter um dado matemático, porque há casos e casos nas empresas do setor. Mas na média pode haver uma redução superior a 10%", disse Turra em entrevista por telefone.

As associações e as principais empresas do setor se reuniram em São Paulo para analisar o impacto da conjuntura internacional.

"As análises indicam que há retração em alguns mercados internacionais e uma escassez preocupante do crédito para a exportação", disseram as associações.

As exportadoras reportam uma redução da demanda da Rússia por efeito da crise global, e do Japão por acúmulo de estoques.

Enquanto isso, "a redução dos preços do petróleo está influindo negativamente nas compras de países do Oriente Médio e também da Venezuela", segundo o relatório.

O setor avícola brasileiro responde por cerca de cinco milhões de empregos.

Entre janeiro e agosto deste ano, exportou 2,5 milhões de toneladas, 17% a mais que no mesmo período de 2007, com receita de US$ 4,8 bilhões e aumento de 56% frente ao período comparado.

Na Venezuela e no Oriente Médio, a queda do petróleo foi tão violenta que clientes agora pechincham preços, o que para os brasileiros "é impossível de aceitar", porque enfrentam fortes altas de custos já acumulados, afirmou.

Mas a demanda de frango no mercado interno "não acendeu luzes de alerta", esclareceu.

No cenário anterior se projetava crescimento de 20% no setor avícola para 2008, que seria mantido para 2009 também se não houvesse crise financeira.

"Agora estamos revisando esse cenário com um crescimento menor para 2009, de 10%, disse.

As exportações também ficaram mais difíceis devido à escassez do crédito, enquanto os anúncios do Governo brasileiro de financiamento para o setor privado "não foram realizados no volume necessário", de acordo com a nota dos empresários, acrescentou. EFE ol/fr

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