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Crise leva atividade da indústria paulista a recuar 10,2% no trimestre

SÃO PAULO - Os efeitos da crise internacional sobre a indústria paulista resultaram em retração acumulada de 10,2% na atividade do setor no último trimestre de 2008, em termos com ajuste sazonal. Foi a maior baixa trimestral registrada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) desde 2002, quando teve início a atual série do Índice do Nível de Atividade (INA).

Valor Online |

No ano de 2008 houve crescimento de 5,4% na atividade, variação garantida principalmente pelo desempenho da primeira metade do ano mas que ficou abaixo da previsão da Fiesp, de alta entre 6,5% e 7% para o índice no ano.

Depois de ter caído 1,7% de setembro para outubro, o INA recuou 3,3% em novembro e 5,2% em dezembro, maior variação percentual negativa para meses de dezembro e também a baixa mensal mais forte desde abril de 2006, quando o recuo foi de 6,5%. " É uma rota de queda crescente no valor apurado a cada mês " , diz Francini.

Na série sem ajuste sazonal a retração da atividade foi de 17,3%, também a maior baixa da série para meses de dezembro. Essa queda " severa " nos últimos meses foi puxada por setores importantes da indústria paulista, que têm grande relevância na indústria nacional.

No setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, a atividade caiu 7% em dezembro, depois de já ter recuado 8,1% em novembro - baixa de 15,1% no bimestre. Embora tenha fechado 2008 com alta de 5,4% na atividade, a tendência sinalizada para o setor é de retração.

Olhando para a indústria de veículos automotores, fortemente afetada pelo aperto do crédito desde o agravamento da crise, a atividade desacelerou 19,4% no último bimestre de 2008, tendo caído 11,1% em novembro e 8,3% em dezembro, sempre na comparação com o mês imediatamente anterior e em termos ajustados. No ano, entretanto, o bom desempenho dos três primeiros trimestres conseguiu garantir expansão de 6,5% no acumulado do ano.

Paulo Francini, diretor do Departamento Econômico da Fiesp, destaca que os dois setores estão estreitamente relacionados à crise internacional. O setor automotivo inaugurou a " corrente do mal " , diz Francini, sendo minado pela escassez de crédito.

Já a crise de confiança desencadeada pela dinâmica ágil e aguda da crise fez tombar os planos de investimentos das empresas, o que é percebido pela queda da atividade no setor de máquinas e equipamentos, muito demandados em época de otimismo com a economia.

Na contramão desse movimento aparece o setor de alimentos e bebidas, cuja atividade havia diminuído 2,9% em novembro, mas se recuperou e fechou dezembro com aumento de 6,6%, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, no ano o setor acumulou recuo de 4,5%.

De acordo com Francini, essa recuperação está descolada da crise de crédito e de confiança. A baixa dos preços dos alimentos explicaria o aumento da demanda e a retomada no setor. Essa tendência, no entanto, depende da renda do consumidor, que vem sendo ameaçada com rapidez pelo desemprego crescente.

Nas demais variáveis do índice, chama atenção a queda de 9,7% nas vendas reais de novembro, seguida de 1,3% de baixa em dezembro. Para Francini, o recuo das vendas poderia ser ainda mais forte se não fosse contabilizada no período a alta do dólar sobre o resultado das vendas das exportações.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) deixou de ser uma preocupação, como era até outubro, e vem retomando níveis mais equilibrados, tendo fechado dezembro em 80,3% com ajuste sazonal e em 77,8% na série sem ajuste.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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