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Crise leva à queda histórica dos preços em janeiro, diz FGV

SÃO PAULO - A crise econômica internacional levou o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de janeiro a registrar a menor taxa de sua história (queda de 0,85%), na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. De acordo com ele, os primeiros sinais de recuo na demanda internacional, devido à crise, atingiram setores na economia doméstica cujas produções, compras ou vendas estavam relacionadas ao mercado internacional.

Agência Estado |

Ou seja: com a menor procura por itens no exterior, produtos com forte participação nas exportações brasileiras acabaram elevando sua oferta no mercado interno, levando à despencada de preços. Ao mesmo tempo, o recuo nos preços das commodities no exterior ocasionado pela crise também afetou os preços das commodities brasileiras no cenário interno.

Um ponto ressaltado pelo economista foi o fato de que, atualmente, "estamos em um movimento de desvalorização do real ante o dólar, mas mesmo assim, os IGPs têm apresentado taxas negativas. O fato de o dólar estar subindo e os IGPs, em trajetória de queda, é algo bem inédito", afirmou.

Entre os destaques de preços em queda e em desaceleração no IGP-10, todos estão concentrados no setor atacadista. Ele comentou que tanto o setor agropecuário quanto o setor industrial, no atacado, apresentaram aprofundamento em seu processo deflacionário, respectivamente, de -0,21% para -1,56%, e de -0,22% para -1,47%. "Os dois estavam com taxas moderadamente negativas e agora os dois estão com taxas intensamente negativas", afirmou Quadros.

Ainda segundo o economista da FGV, dos 356 produtos componentes do Índice de Preços por Atacado (IPA), 127 tiveram variação negativa, e o restante, variação positiva. "Mas embora um número maior de produtos no atacado tenha registrado variação positiva, os produtos que apresentaram deflação foram os de maior peso no atacado", comentou o economista.

Quadros citou como exemplos as quedas de preços, no atacado, em produtos alimentícios (-0,94%); carne bovina (-5,17%); aves abatidas frigorificadas (-3,64%); couros e calçados (-1,99%); celulose,papel, e produção de papel ( -1,07%); produtos de derivados de petróleo (-3,08%) e produtos químicos (-3,28%).

Mas o comportamento de preços que mais surpreendeu o economista da FGV foi o do setor automotivo. Ele comentou que esse segmento é o de maior peso individual no setor industrial atacadista, e que somente os preços dos automóveis para passageiros passaram de alta de 0,85% para queda de 8,56%, de dezembro para janeiro. Ele lembrou que houve uma redução na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em dezembro para os automóveis novos, que ajudou a puxar para baixo os preços dos carros. Entretanto, comentou que somente essa explicação não é suficiente para justificar uma queda de tal magnitude.

As empresas do setor automotivo foram uma das primeiras a serem afetadas pela crise internacional. "As montadores estão com os estoques cheios, e querem se livrar desses estoques. E esse movimento de recuo de preços já pode ser detectado no varejo", afirmou o economista. No âmbito do consumidor, a deflação nos preços de automóveis novos passou de 0,03% para -14,32%, de dezembro para janeiro.

Copom

Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, o cenário de movimentação de preços mostra que há espaços para cortes de juros básicos (taxa Selic) de magnitude expressiva na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nos dias 20 e 21 de janeiro. Ele fez o comentário ao concordar que a inflação mostra um cenário favorável, exemplificado pela sequência de três taxas negativas consecutivas em IGPs fechados, como foi o caso do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de dezembro (deflação de 0,13%); Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de dezembro (deflação de 0,44%) e o IGP-10 de janeiro (queda de 0,85%), anunciado hoje.

Ao falar sobre resultados futuros do IGP-10, o economista observou que não espera uma sequência de quatro ou cinco taxas negativas mensais consecutivas, como já tinha ocorrido em anos anteriores. "Uma deflação intensa como a mostrada pelo IGP-10 de janeiro hoje não sugere que vai ocorrer uma continuidade em um período longo. No máximo, creio que pode ser que ocorra uma segunda taxa negativa (em fevereiro)", afirmou.

Porém, ao se falar sobre o tipo de comportamento que o Banco Central pode ter ao avaliar a situação da demanda no mercado doméstico e os rumos futuros da inflação, Quadros admitiu que "há vários argumentos" para uma redução na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. "A inflação não parece motivo de preocupação, e a chance de se convergir para a meta desse ano (4,5%) é muito grande", afirmou.

Entretanto, ele acha difícil que o BC possa cortar a Selic de uma forma muito brusca, em um ponto porcentual, por exemplo. Na análise do economista, isso não combina com a postura do BC em decisões anteriores, nas quais a entidade privilegiou cortes gradativos, com decisões mais conservadoras.

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