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Em 2008, até agora, nada menos do que 31 companhias aéreas encerraram suas operações em todo o mundo. Combalidas pela alta recorde do petróleo na primeira metade do ano - quando a cotação do barril chegou próximo dos US$ 150 -, o setor hoje sofre com uma queda drástica da demanda.

De acordo com a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), que reúne 230 empresas aéreas em todo o mundo, o setor deve perder US$ 7,5 bilhões entre 2008 e 2009. Nada menos que 400 mil postos de trabalho serão eliminados no período. "Essa é a pior crise no setor em mais de 50 anos", afirmou Giovanni Bisignani, diretor da Iata, que prevê "mais fatalidades".

A entidade calcula que o prejuízo das empresas aéreas em 2008 será de US$ 5 bilhões. Para 2009, as perdas mundiais serão menores, na casa dos US$ 2,5 bilhões, graças à redução do preço do petróleo, que compensaria a queda de passageiros e de cargas. Em Nova York, o petróleo encerrou o dia de ontem cotado a US$ 42.

A Iata alerta que, no Brasil, os prejuízos no setor serão de cerca de US$ 50 milhões neste ano e de mais US$ 100 milhões em 2009. A entidade, porém, elogia a decisão da Petrobrás de reduzir o preço do combustível de aviação (em 18,6%, desde 1º de dezembro), o que permitirá que o setor economize US$ 400 milhões.

A queda em 2008, em termos de receitas, supera em mais de 20 vezes a crise que se espalhou pelo setor após os ataques de 11 de setembro de 2001. "A queda nas receitas do setor será de US$ 35 bilhões em 2009", alertou o executivo.

As maiores perdas este ano foram registradas pelas empresas norte-americanas: juntas, perderam US$ 3,9 bilhões, em grande parte por causa da alta nos preços do petróleo nos primeiros meses do ano e, mais recentemente, com a crise financeira. Os prejuízos já obrigaram as empresas americanas a se reestruturar, diminuir custos e demitir.

Mas, no resto do mundo, as perdas aumentarão de forma substancial ainda em 2009. Na América Latina, as perdas vão voltar a fazer parte da realidade da região, depois de um primeiro semestre de forte crescimento. Em 2008, os prejuízos na região serão de US$ 100 milhões, metade dos quais no Brasil. No ano que vem, as perdas chegarão a US$ 200 milhões.

Na Ásia, as perdas serão de US$ 1,1 bilhão, enquanto na Europa os prejuízos chegarão a US$ 1 bilhão. Em ambos os casos, a queda de cargas diante da redução do comércio mundial será um dos principais fatores. As empresas da América Latina sofrerão particularmente com a queda nas exportações de commodities. "A crise vai atingir a todos", afirmou Brian Pearce, economista-chefe da Iata.

No setor de turismo e nas companhias aéreas, até 400 mil postos de trabalho em todo o mundo poderão ser eliminados. "Não há dúvidas de que postos de trabalho vão desaparecer", afirmou Bisignani.

Tanto o número de passageiros como o transporte de cargas sofrerão quedas em 2009. Depois de um crescimento de 2% previsto para este ano, puxado pela Ásia e América Latina, o tráfego de passageiros deve cair 3% no ano que vem. Será a primeira redução no tráfego de passageiros desde a queda de 2,7% registrada em 2001.

O transporte de cargas, que cairá 1,5% em 2008, sofrerá de forma mais acentuada no ano que vem: 5%. Antes de 2008, a última vez que houve redução no movimento de carga foi em 2001 (6%).

A boa notícia, do ponto de vista do passageiro, é que os preços das passagens aéreas poderão sofrer uma queda de 3% em 2009. Ontem, a Lufthansa já anunciou um corte em sua taxa de combustível e a Swiss deve seguir a mesma linha.