O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quinta-feira que a crise imobiliária nos Estados Unidos e em outros países pode ser mais longa que o previsto, com preços mais baixos em todo o ano de 2010, e com um aumento do desemprego.

"O recuo do mercado imobiliário nos Estados Unidos e em outras partes pode ser mais profundo que o estimado no começo. Nos Estados Unidos, em particular, há um risco de correção mais longa", advertiu a instituição multilateral em nota.

Entre as razões que alimentam este risco, o FMI destacou o mercado de trabalho em deterioração, as obrigações hipotecárias de financiamento e o aumento brutal dos despejos, além do agravamento do problema da queda do valor dos imóveis cobertos por hipoteca.

"Os preços dos imóveis podem continuar caindo fortemente ao longo de 2010, minando o restabelecimento dos mercados financeiros e contribuindo para alimentar a espiral negativa que atinge a economia real", destacou o FMI.

Segundo o Fundo, da mesma forma, há riscos de a queda dos preços do imobiliário se agravar em outras economias industrializadas e também se estender a um número mais elevado de países, em particular se a disponibilidade do crédito imobiliário diminuir com os ajustes no setor financeiro.

Entre as medidas necessárias para enfrentar esta crise, o FMI defendeu mais uma vez os planos de retomada que parecem ainda prováveis nas grandes economias.

A instituição afirmou que os planos projetados devem ter um impacto considerável sobre o crescimento dos países industrializados e grandes economias emergentes do G20 em 2009: da ordem de 0,5% a 1,25%". Seu efeito seria em contrapartida mínimo em 2010 "no estado atual das informações".

O custo seria elevado. Atualmente, os países do G20 adotaram, ou pretendem adotar, medidas de retomada orçamentária elevando em média a 0,5% o PIB (Produto Interno Bruto) em 2008, para 1,5% em 2009, e aproximadamente 1,25% em 2010", segundo o FMI.

Esta retomada teria efeitos mais espetaculares no Canadá, na Alemanha, no Japão, na Coréia do Sul e nos EUA, entre as economias industrializadas, e na China, na Rússia e na África do Sul, entre as economias emergentes.

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