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Crise grega se agrava e ameaça Europa

A crise europeia se aprofunda com a ameaça confirmada de um contágio financeiro generalizado, o caos nos mercados se transforma em mortes e instabilidade social na Grécia e investidores abandonam o euro duvidando da capacidade da União Europeia (UE) de superar seus problemas.Para a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), se o plano de resgate à Grécia não funcionar, as consequências serão sentidas por todo o bloco.

AE |

A crise europeia se aprofunda com a ameaça confirmada de um contágio financeiro generalizado, o caos nos mercados se transforma em mortes e instabilidade social na Grécia e investidores abandonam o euro duvidando da capacidade da União Europeia (UE) de superar seus problemas.

Para a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), se o plano de resgate à Grécia não funcionar, as consequências serão sentidas por todo o bloco. O presidente grego, Karolos Papoulias, disse que o país se encontra à beira do abismo e fez um apelo para que a crise não se transforme em caos social sem precedentes. “É nossa responsabilidade não dar um passo para o precipício.”

Ontem, eram muitos os sinais de ameaça ao plano de resgate. Na Grécia, a oposição e manifestantes na rua deram sinais ao mercado de que a aprovação no Parlamento dos cortes de gastos públicos pode não ocorrer diante dos distúrbios sociais. Nervosos, investidores correram para trocar euros por dólar e a moeda europeia desabou para o nível mais baixo em mais de um ano.

As principais autoridades europeias e o FMI foram obrigados a reconhecer que o que está em xeque não é mais o equilíbrio fiscal grego, mas a estabilidade da Europa. Para tentar frear a situação, a UE anunciou uma reforma interna e prometeu novas leis para frear ataques especulativos provocados pelos rebaixamentos das agências de classificação de risco. Bruxelas lançou duros ataques ao mercado e chegou a acusá-lo de ameaçar as “instituições democráticas da Europa”.

Nas cidades gregas, dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas para protestar contra a decisão do governo de aceitar as condições impostas pela UE e pelo FMI para um empréstimo de 110 bilhões. Em Atenas, houve três mortes. Prédios públicos foram incendiados e o Parlamento quase foi invadido.

Apelo desesperado

Enquanto isso, em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, lançou um apelo desesperado ao Parlamento para que aprove até amanhã o pacote de ajuda aos gregos, alertando que o destino da UE estaria ameaçado. “Estamos aqui diante do destino da Europa. O futuro da Europa e da Alemanha está em jogo. Estamos numa encruzilhada.” Do pacote aos gregos, 20% sairão dos contribuintes alemães.

O líder da oposição, Frank-Walter Steinmeier, deixou claro que a crise grega representa o maior desafio da história da União Europeia. Wolfgang Schaeuble, ministro de Finanças da Alemanha, vai além e já propõe que um governo que persista em quebrar as regras da UE seja expulso da zona do euro. Isso, segundo ele, seria a única forma de salvar o bloco e sua credibilidade. “Essa é a lição da crise”, disse Merkel.

A constatação de todos é de que nem o anúncio de um pacote para salvar a Grécia foi suficiente para conter as incertezas sobre a capacidade da UE de lidar com a dívida pública. O objetivo do pacote era acalmar investidores e garantir ao mercado que nenhum país decretará moratória. Os spreads, porém, não caíram e até sofreram uma forte avanço no caso de Portugal e Espanha. A falta de confiança na capacidade dos gregos em lidar com a dívida e a falta de coesão na Europa para lidar com crises alimentaram as novas turbulências.

Tom de preocupação

O comissário de Assuntos Monetários da UE, Olli Rehn, declarou que era vital parar a crise e evitar o contágio de outros mercados. Ele insistiu que os problemas na Grécia não são comparáveis aos da Espanha e de Portugal e disse que Madri não precisará de um pacote de apoio. Já o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, preferiu apelar para que haja liderança política, num recado claro para que os europeus superem as diferenças.

O tom de preocupação prevalecia entre todas as autoridades. “Há a ameaça de um efeito de contágio sério para outros países da zona do euro”, afirmou Axel Weber, um dos conselheiros do BC europeu. “Precisamos conseguir evitar um contágio”, declarou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

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