Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Crise global terá reflexo no setor imobiliário

Não há como evitar que a crise financeira global respingue no mercado imobiliário brasileiro, admitiu ontem o presidente do Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo (Secovi), João Crestana. Quando o americano soluça, o mundo treme.

Agência Estado |

" Mas as conseqüências para o crédito no setor serão pequenas, defende Crestana, mesmo levando em consideração que a turbulência iniciada nos Estados Unidos teve origem na bolha imobiliária.

"Temos uma das melhores salvaguardas. Felizmente, estamos bem. Estamos conscientes e com bastante serenidade." De "salvaguarda" ele chama a política macroeconômica e o marco regulatório do setor que criou, entre outros instrumentos, medidas que garantem que recursos financeiros pagos pelos compradores de imóveis de um empreendimento não sejam destinados para outros fins.

Segundo ele, isso dá mais segurança às operações de crédito à produção. "Nós não somos simples copiadores do mundo, somos um país criativo, que cria suas salvaguardas." Para Crestana, o sistema de regulação brasileiro é mais avançado do que o americano.

O presidente do Secovi ainda ressalta que há uma diferença gritante entre o crédito habitacional brasileiro e o mercado de alto risco (subprime) americano, que entrou em colapso. É que, no Brasil, o financiamento ocorre via banco e não por companhias hipotecárias. E, aqui, não há um mercado secundário desenvolvido que negocia papéis das dívidas dos mutuários. "Nosso mercado secundário ainda está engatinhando. Estamos a anos-luz dos americanos", diz. O tamanho desse mercado no País é de apenas R$ 2 milhões. "Não há risco sistêmico para o Brasil."

Essa "vantagem" em estar atrasado na formulação de um modelo de mercado secundário obviamente poderá ter custos altos no longo prazo. A modalidade chegou a ser apontada como a futura principal fonte de recursos para o mercado imobiliário nos próximos anos. Nos cálculos do setor, as principais fontes atuais de crédito - o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e caderneta de poupança - tendem a se esgotar em poucos anos, se mantido o crescimento vertiginoso do mercado imobiliário.

E, com a crise global, o processo de formatação do modelo, que já estava lento, deve ficar ainda mais vagaroso. "A crise vai tornar alguns processos mais lentos, mas não vai inibir. O mercado secundário no Brasil vai crescer homeopaticamente."

O que mantém o otimismo do setor é o mercado interno, que tem muito espaço para crescer. O crédito imobiliário, com taxas de juros menores e prazos mais longos, serviu de alavanca para a retomada da atividade. Com o aumento da renda da classe média, mais pessoas foram incluídas no sistema. "O mercado tem muito o que se recuperar. Antes, a construção civil representava 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, não chegamos a 3%."

O Secovi recebeu ontem a imprensa para anunciar a terceira edição do Salão Imobiliário São Paulo, que contará com cerca de 30 mil ofertas de imóveis - a maioria de R$ 60 mil a R$ 220 mil -, num Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 4 bilhões. O evento ocorre entre os dias 25 e 28 de setembro, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Cerca de 250 expositores, entre construtoras, incorporadoras, imobiliárias e bancos, esperam um volume de negócios da ordem de R$ 300 milhões.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG