Por Fabio Gehrke SÃO PAULO (Reuters) - O dólar teve nesta quarta-feira a maior alta diária em mais de um ano, seguindo o cenário global pessimista, apesar da divulgação de dados do Banco Central mostrando que o fluxo cambial no país foi positivo no início do mês.

A moeda norte-americana saltou 2,58 por cento, a 1,867 real, maior patamar de fechamento desde 24 de setembro do ano passado. Na máxima do dia, o dólar atingiu 1,889 real, subindo 3,79 por cento.

O Federal Reserve anunciou na noite de terça-feira um plano de socorro à seguradora norte-americana AIG, mas investidores mostraram preocupação de que isso não será suficiente para aplacar a turbulência nos mercados.

Em Wall Street, o índice Standard & Poor's 500 chegou a cair mais de 4 por cento.

A forte deterioração do cenário global foi sentida nos demais segmentos do mercado doméstico, com o Ibovespa recuando quase 7 por cento no pior momento do dia.

No final da tarde, o risco-país avançava 21 pontos, para 371 pontos-básicos.

Apesar desse panorama, o Banco Central mostrou que o mercado de câmbio recebeu, liquidamente, mais de 4 bilhões de dólares nos primeiros 10 dias úteis deste mês. O país registrou fluxo cambial positivo de 4,329 bilhões de dólares no mês até o dia 12.

'A percepção é que grande parte de quem sai da bolsa vai para a renda fixa e não sai do país', afirmou Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, sobre os dados do BC.

Segundo Battistel, a alta do dólar deve-se mais a um movimento especulativo, com compra de dólares no mercado à vista e venda no futuro.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, disse que os mercados derivativos de dólar mostram essa tendência especulativa. 'Não existe nenhuma demanda acentuada' por dólar no mercado, afirmou. 'Com esse tumulto na segunda-feira (com o colapso do banco de investimento Lehman Brothers), criou-se um clima para dar outra puxada no dólar.'

De acordo com dados mais recentes da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros mantinham mais de 5 bilhões de dólares em posições compradas em derivativos cambiais nesta semana --o que equivale a uma aposta na alta do dólar.

(Reportagem adicional de Silvio Cascione)

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