A crise fiscal na Europa, que teve início com a Grécia e ganhou contornos mais graves nos últimos dias, entrou no radar do Banco Central (BC) e passou a ter peso na definição dos próximos passos da política de juros. A ata da última reunião do Copom, divulgada ontem, alertou para a possibilidade de um agravamento da crise europeia levar a uma interrupção da retomada do crescimento nos países desenvolvidos e provocar um movimento de deflação com impacto na inflação brasileira.

A crise fiscal na Europa, que teve início com a Grécia e ganhou contornos mais graves nos últimos dias, entrou no radar do Banco Central (BC) e passou a ter peso na definição dos próximos passos da política de juros. A ata da última reunião do Copom, divulgada ontem, alertou para a possibilidade de um agravamento da crise europeia levar a uma interrupção da retomada do crescimento nos países desenvolvidos e provocar um movimento de deflação com impacto na inflação brasileira. A interpretação que ganhou força no mercado financeiro, logo após a divulgação da ata, foi a de que as altas de juros poderão ser menores do que o esperado, caso a crise fiscal que se abateu sobre a Europa se intensifique. Em consequência, o mercado de juros começou a rever as suas apostas com a possibilidade de altas menores da taxa de juros daqui para frente. A aposta de que o Copom poderá subir a taxa Selic em um ponto porcentual na sua próxima reunião, em junho, ficou enfraquecida. Nesse cenário de piora da economia europeia, as empresas no Brasil iriam importar a deflação europeia comprando do exterior produtos mais baratos, como matéria-prima e insumos para a indústria, com impacto positivo sobre a inflação no País. Além de baratear as importações, o "viés" positivo da crise europeia para a inflação brasileira seria reforçado também pela queda dos preços de commodities, pressionado para baixo a inflação. Cenário. Na ata, os integrantes do BC afirmam que o cenário de retomada das pressões inflacionárias em "economias relevantes" do mundo, que estava se configurando nos últimos meses, inclusive com o aumento dos preços das commodities, poderá ser revertido rapidamente "dependendo da dinâmica que tomar" o quadro de desconfiança do mercado em relação à solvência de alguns países europeus. Dessa forma, no entendimento do Banco Central, a influência benigna do cenário externo para o comportamento da inflação brasileira, que vinha diminuindo nos últimos tempos, poderá continuar. "O peso externo na inflação é hoje maior do que o interno, de aumento da demanda", destaca Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor da área externa do BC e hoje economista-chefe da Confederação Nacional de Comércio (CNC). Segundo ele, um choque deflacionário na Europa e nos EUA poderá fazer com o BC faça uma dosagem menor dos porcentuais de elevação da Selic. Por outro lado, alertou Freitas, a crise na Europa aumenta as incertezas de médio prazo com relação à inflação. Segundo ele, com o aumento da aversão ao risco os investidores retiram as suas aplicações em títulos de países emergentes em troca do porto seguro dos papéis do Tesouro norte-americanos. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.