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Crise global ameaça sucesso da temporada de descontos nos EUA

NOVA YORK - Lojas de departamento, cadeias comerciais e pequenos negócios, tanto de artigos de luxo e informática, como de roupa, começaram nesta sexta-feira a temporada de descontos nos Estados Unidos, que acredita-se que possa ser a pior em décadas devido à crise econômica.

EFE |

Muitos estabelecimentos, sobretudo as cadeias comerciais, abriram suas portas na madrugada de sexta-feira e penduraram seus cartazes de descontos, em algumas ocasiões de até 70%, na busca por atrair os consumidores, ainda reticentes em gastar excessivamente.

"Não acho que os descontos vão ajudar o consumo. As pessoas serão mais cautelosas", disse hoje à Agência Efe Tammy Allegra, uma nova-iorquina que fazia compras pelo centro da cidade.

O arrefecimento do consumo pela crise econômica fez com que os principais comércios da cidade antecipassem os descontos, geralmente concedidos a partir da chamada Black Friday, a primeira sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, que praticamente inaugura a temporada de compras.

É geralmente na Black Friday que os números vermelhos de muitos estabelecimentos comerciais se tornam negros e acabam salvando o ano dos comércios.

Em 2007, as vendas dos comércios no fim de semana posterior ao Dia de Ação de Graças representaram 10% de todas as realizadas no período de festas de fim de ano, que registraram um aumento de 2,5% em relação a 2006.

Segundo a firma especializada em estudos de consumo Shopper Track, nessa época e devido à "estagnação da economia e à menor confiança dos consumidores", este ano as vendas serão 9,9% inferiores às do ano passado.

Outras organizações também fizeram previsões sombrias de vendas, pois já se antecipou que, de maneira geral, as famílias americanas devem gastar 11,25% a menos em presentes no período de festa de fim de ano em comparação com 2007.

Uma pesquisa da entidade privada de estudos econômicos The Conference Board revelou que as famílias americanas gastarão neste ano uma média de US$ 418 em presentes, número inferior em comparação aos US$ 471 de 2007.

Ao percorrer as principais vias comerciais de Nova York, desde a famosa Quinta Avenida à luxuosa Madison, passando também pelas lojas mais modernas do Soho e outros bairros se observa a corrida dos comércios em pôr mais descontos que seus concorrentes.

As lojas mais famosas de artigos de luxo começaram a colocar também o cartaz de descontos, ainda que em um lugar mais discreto de suas vitrines.

"Estou surpreso com as promoções. Vi descontos de 40% e 50%, e isso vem em ótimo momento para comprar os presentes de Natal", disse à Efe David Paz, um turista espanhol, que destacou também que agora a relação entre euro e dólar é menos propícia a turistas europeus que há alguns meses.

Uma avaliação similar foi feita pela turista alemã Nadine, que disse que "Nova York está um pouco mais cara do que esperava".

Na imprensa, tanto jornais como rede de televisões fazem todo tipo de recomendações aos consumidores sobre como comprar mais barato, quais são os artigos em promoção em diferentes lojas e onde conseguir cupons com descontos adicionais.

Os produtos mais procurados pelos consumidores seguem sendo as grandes televisões de plasma, anunciadas com um desconto médio de até US$ 300 sobre os preços regulares que começam, em seus valores mais baixos, a partir de US$ 900.

A Federação Nacional de Vendas no Varejo (NRF, na sigla em inglês) estima que de hoje até domingo haverá mais de 128 milhões de americanos que sairão para fazer compras, e que deles 49 milhões comprarão, enquanto os demais apenas irão às ruas para ver as promoções.

Em 2007, segundo a mesma organização, 135 milhões de pessoas aproveitaram este fim de semana para sair às compras.

Os comerciantes, no entanto, tem ainda outra saída caso o fim de semana não seja suficientemente lucrativo, a Cybermonday. Nesse dia, a primeira segunda-feira após Ação de Graças, os descontos se dirigem à internet, para todos que não aproveitaram os dias anteriores de promoções.

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