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Crise financeira traz as teorias de Maynard Keynes de novo à voga

A crise financeira trouxe para a mesa de discussões as idéias do economista britânico John Maynard Keynes - como a necessidade de uma regulação dos mercados e das políticas de reativação de investimentos e de grandes obras públicas - que haviam sido relegadas com o auge do neoliberalismo nos anos 80.

AFP |

Keynes (1883-1946), um dos economistas mais influentes do século XX, autor da "Teoria geral do emprego, dos juro e da moeda", preconizava a necessidade de regular o capitalismo sem comprometer a autonomia das empresas, pois rejeitava a idéia da auto-regulaçao dos mercados.

"Keynes construiu sua teoria a partir da hipótese de que os mercados sofriam de disfunçoes e que, para manter a economia capitalista, era preciso a intervenção pública", comentou Jean-Paul Fitoussi, presidente do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE).

"Hoje temos uma disfunção maior dos mercados e, por isso, a intervenção pública foi naturalmente maciça", afirmou Fitoussi à AFP.

Keynes receitava, em épocas de crise, injeções maciças de liquidez por parte do Estado e cortes das taxas de juros para impulsionar o investimento.

Também aconselhava incentivar a demanda mediante um incremento dos investimentos públicos e redistribuição de riquezas em favor das classes com menores recursos.

Os gabinetes ministeriais voltaram a lançar mão dessas receitas.

O ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, anunciou neste domingo a intenção de aumentar o gasto público através de projetos de grande envergadura, principalmente nas áreas da construção, energia e as pequenas e médias empresas.

O presidente da Associação para o Desenvolvimento de Estudos Keynesianos, Edwin Le Heron, advertiu, no entanto, sobre o risco de uma reativação meramente conjuntural, que "cairia no vazio".

"É preciso separar as coisas. Por um lado, há quem peça para voltar a regular o capitalismo, a mudar a estrutura do capitalismo; por outro, tem quem diga que se trata de uma política de reativação da economia real, com planos conjunturais", assinalou.

"Ambos podem parecer 'keynesianos', mas eu penso que o 'keynesiano' é uma reforma estrutural do capitalismo", afirmou Le Heron.

Le Heron acredita que o anúncio de uma série de cúpula internacionais para reformar o sistema financeiro vai nesse sentido, mas que "a janela de oportunidades é muito estreita", pois os Estados Unidos são reticentes a reformular o sistema definido em 1944 pelos acordos de Bretton Woods, centrados no modelo americano.

Fitoussi, mais otimista, acredita que atualmente todos os países buscam uma boa regulação, pois "ninguém se livrou da crise ainda". Mas isso não impede as divergências sobre a maneira de realizar essas reformas, com se vê no bloco europeu.

"A Europa foi capaz de criar um plano da zona euro e a União Européia conseguiu depois chegar a um acordo sobre um plano global de resgate bancário. Isso implica que os países europeus podem se colocar de acordo sobre um plano global de regulação dos mercados", afirmou Fitoussi.

Nesse sentido, Nicolas Sarkozy, presidente francês e presidente em exercício da UE, pediu nsta terça-feira para se criar um "governo econômico" para a Eurozona e criar fundos soberanos para investir em setores estratégicos.

edy/jld/cn

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