Os preços dos créditos de carbono negociados por companhias europeias para compensar suas emissões de gases de efeito estufa caíram drasticamente nas últimas semanas, com a piora da crise financeira internacional. Além da queda no ritmo da atividade econômica - que consequentemente resulta em menor emissão de poluentes -, empresas começaram a vender seus títulos com o objetivo de fazer caixa para enfrentar os tempos de crédito escasso.

O resultado é uma sobreoferta de certificados de emissão reduzida, que fez com que o preço da tonelada de carbono emitido caísse para 12 (US$ 15,58) - menos da metade do valor que estava sendo negociada em meados do ano passado. Antes do agravamento da crise financeira, a tonelada de carbono era cotada a 30 (US$ 38,94).

A queda do preço do crédito de carbono a patamares tão baixos é preocupante por duas razões. Primeiro, elimina o incentivo para que as companhias façam investimentos em tecnologias de controle da poluição. Na Europa, o sistema voluntário de comércio de créditos de carbono, que corre paralelo ao mercado regulado pela Organização das Nações Unidas, tinha como objetivo estimular as empresas a reduzirem suas emissões de gases poluentes. Analistas afirmam que o preço por tonelada de emissões de carbono a pelo menos 20 é necessário para que o negócio seja lucrativo para as empresas.

Por outro lado, os preços mais elevados dos créditos de carbono significam uma motivação maior para que as fábricas troquem de combustível e substituam carvão por gás natural para atender suas necessidades energéticas. Se for barato poluir, há menos interesse em fazer a conversão para energias mais limpas.

O sistema de negociação de créditos de carbono da União Europeia está atualmente em sua segunda fase de comercialização de títulos, que vai até 2012 - a primeira terminou no final de 2007. Se as empresas poluírem mais do que o permitido, elas são obrigadas a comprar títulos para compensar suas emissões, no mercado voluntário. Se poluírem menos, as empresas podem vender seus créditos não utilizados.

Atualmente, no entanto, com a relutância dos bancos em emprestar dinheiro às companhias, o mercado voluntário de carbono na Europa se mostrou um meio para que as empresas façam caixa e ganhem liquidez para enfrentar a crise. Um levantamento conduzido pela unidade alemã do jornal Financial Times mostra um número crescente de empresas de médio porte da Alemanha que estão vendendo créditos de carbono para cobrir rombos financeiros. O estudo do Financial Times descreve o caso de uma produtora de papel no sul da Alemanha, a Scheufelen, que evitou um completo colapso financeiro ao vender seus créditos de carbono em dezembro.

O preço baixo dos créditos de carbono sugere que as empresas irão postergar melhorias tecnológicas e continuar sendo fábricas obsoletas e pouco eficientes por mais tempo. O resultado poderá ser muito mais poluição até que os preços tornem a subir. Em 2008, o mercado global de créditos de carbono movimentou US$ 116 bilhões - quase o dobro do valor negociado em 2007, de US$ 66 bilhões.

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