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Crise financeira global: é um bom momento para comprar carro financiado?

A crise financeira norte-americano tem gerado preocupações e dúvidas. O iG preparou um material que responde parte das questões que vem sendo feita e abre espaço para que o internauta envie a sua pergunta. Qual a sua dúvida sobre a crise financeira?

Redação |

Acordo Ortográfico

O jornalista e colunista do iG José Paulo Kupfer (leia o blog aqui) vai ajudar os internautas a resolverem suas dúvidas sobre essa turbulência na economia.

Nesta sexta-feira, Kupfer respondeu, entre outros internautas, a pergunta de Daniela Rosendo e Soraya Lange que querem saber se é um bom momento para comprar carro financiado. Kupfer ainda explica o motivo de o dólar se valorizar com a crise - dúvida do internauta Mauro Ramos.

Veja as respostas abaixo e envie a sua dúvida para falainternauta@ig.com.br. Ela será respondida por Kupfer e publicada no Último Segundo.

Reuters
Mercado
Homem acompanha índices em Tóquio. Bolsas asiáticas fecham em baixa 

Fala, internauta! Gostaria de saber se é um bom momento para comprar carros financiados. Se não, quanto ou o que devo esperar? (pergunta enviada por Daniela Rosendo, Soraya Lange, Silvia)

José Paulo Kupfer - Já houve, é claro, melhores momentos. Mas financiar carro, desde que se cumpram alguns requisitos, é uma alternativa que deve ser sempre estudada. No momento, o que já pode estar pior em relação a um passado recente é um aumento nos juros, mas que ainda não vai se refletir muito fortemente no valor da prestação; uma maior dificuldade para conseguir prazos mais longos ¿ isso, sim, se reflete imediatamente no valor da prestação ¿; e uma maior dificuldade na aprovação da ficha, ou seja, já há exigências de maior garantia de quem vai tomar o empréstimo, sinal de maior cautela por parte de quem está emprestando. Essa é uma situação que deve ficar como está agora ou pode piorar um pouco, conforme o desenrolar dos acontecimentos ¿ coisa bem incerta.

É bom frisar que essa piora nas condições do crédito não é uma situação que tenha uma razão especificamente técnica, porque os recursos que são usados nestes financiamentos para automóveis têm origem no mercado interno, não estão afetados, em princípio e pelo menos por enquanto, pelas circunstâncias da crise internacional. O que parece existir agora é uma espécie de efeito demonstração: as instituições que operam no Brasil estão, por precaução, tomando maiores cuidados e tornando o crédito mais seletivo. Em resumo, aparentemente é melhor tomar o crédito hoje do que amanhã, porque a situação pode piorar e - para melhorar e voltar ao que era algum tempo atrás - talvez demore.

Porém, exatamente por isso, porque as condições tendem a ser menos favoráveis, quem for decidir por um empréstimo deve levar em conta, com redobrada atenção, alguns aspectos: 1 - quanto, em percentagem, a prestação representa do seu rendimento mensal disponível; 2 - as perspectivas que vê em relação ao seu emprego ou seu trabalho, para ter uma idéia das perspectivas de continuar obtendo o rendimento necessário no período do financiamento; e 3 - se o carro vai aguentar o período do financiamento. Dependendo do saldo devedor do financiamento e do estado do carro, na hora de trocar o dinheiro que vai sobrar pode ser insuficiente.

Fala, internauta! Estou com viagem programada para os EUA e com a crise fiquei um tanto apreensivo com a alta do dólar. Quero saber se a tendência é o dólar subir cada vez mais ou se, com a aprovação do pacote, a moeda pode cair. Gostaria de saber por que, com a crise, o dólar se valoriza. Não teria que se desvalorizar? (perguntas enviadas por Vinicius Massarotti, Yuri Melo, Andreza, Ivone Albuquerque, Mauro Ramos) 

José Paulo Kupfer - É preciso entender que o dólar é na sua essência uma mercadoria, embora seja uma mercadoria com características muito especiais. Para entender os mercados e a evolução das cotações do dólar, pode-se, sabendo que este é apenas um exercício que facilita o entendimento, tentar fazer uma analogia com as oscilações de preço das bananas na feira. Quanto mais gente querendo comprar banana, mais do que o feirante tem ou está disposto a vender, a tendência é o preço subir. Ao contrário, no fim da feira, quando o feirante quer vender, a tendência é o preço cair. Claro que com o dólar é mais complexo que isso, mas em linhas gerais é possível fazer uma comparação.

No momento está havendo uma pressão de compra de dólar. Por um mecanismo que talvez Freud possa explicar, mesmo no momento em que a economia americana se encontra fragilizada, e ainda que se saiba que o dólar, desde 1971, é apenas garantido pela confiança na economia americana ¿ porque não há mais nenhum lastro físico que o sustente ¿, a moeda americana acaba sendo procurada como refúgio dos poupadores, como uma espécie de porto seguro para o seu patrimônio, nas horas de turbulência na economia.  

Reuters
Bovespa
Bovespa vive dia de pânico na quinta-feira e despenca mais de 7%

Isso explica por que no Brasil, quando a economia americana entra em crise, o dólar sobe. Se a crise atual prosseguir, mesmo que aliviada pelo pacote, a tendência será uma pressão de compra sobre o mercado cambial brasileiro. O preço do dólar, em reais, tende a subir. Há, porém, uma espécie de limite para isso, que é a atuação do Banco Central brasileiro, que tem interesse que a cotação do dólar não suba demais nem muito rápido, porque uma valorização muito rápida produz pressão inflacionária.

Por isso o BC tem interesse em tentar estabilizar a cotação do dólar ao máximo, evitar picos e vales muito pronunciados nas cotações. A tendência é de que o BC promova venda de dólar para que haja um aumento da oferta e o preço se acalme. O BC tem uma quantidade razoável de dólares para defender essa posição, US$ 200 bilhões, e já usou US$ 1 bi entre sexta e segunda. Os resultados estão mostrando que não é suficiente e é provável que o BC venda mais dólares. A tendência, se a crise for menos explosiva, é que o BC tente manter o dólar em torno de R$ 1,90 a R$ 2. Mas não há quem possa, neste momento, garantir essa estimativa.

"O 'preço' do dólar, em reais, tende a subir. Há, porém, uma espécie de limite para isso, que é a atuação do Banco Central brasileiro"

Diante deste quadro, a situação de quem tem que comprar dólar para viajar é bastante complicada. Pode ser que o momento seja agora, porque talvez a moeda americana não volte tão cedo a uma cotação como vemos hoje. Mas, acalmando a crise um pouco mais, com a eventual aprovação do pacote pela Câmara dos Representantes e um eventual efeito positivo do pacote no nível de confiança dos mercados, o dólar pode até recuar um pouco mais.

Somando tudo isso, a melhor aposta, e é uma aposta, é esperar mais um pouco, mas não muito. Esperar para ver o que acontece com o plano e com as suas primeiras repercussões. De todo modo, em comparação com uns dois meses, o aumento do custo das viagens, sem falar nos bilhetes aéreos para quem ainda não comprou, será em torno de 20% a 25%.

Fala, internauta! Em quanto tempo o Ibovespa recupera o que foi perdido nestes últimos quatro meses? Tenho uma previdência privada atrelada à renda variável e estou em dúvida se vou para renda fixa ou continuo onde estou. (pergunta enviada por Luiz Carlos)

Reuters

Investidor em Wall Street
Investidor em Wall Street
José Paulo Kupfer  - Isso não é possível saber, mas a tendência é que, em algum momento no futuro, os valores se recuperem, porque as ações são representações de pedaços do capital de empresas. São coisas reais. A cotação de uma ação reflete o que se passa num mercado que tem especulação, que tem cálculos financeiros, mas por trás disso há uma empresa que compra, vende, dá emprego, investe etc.

Então, dependendo da empresa, do setor em que ela opera, no futuro, o ganho é certo ¿ ou a perda é certa. Se há 30 anos você investiu em uma empresa que fabricava máquinas de datilografia, você provavelmente perdeu dinheiro. Mas o que se pode esperar de uma Petrobras, Vale, ou empresas de tradição e bem administradas no longo prazo? Normalmente serão bons resultados.

Enfim, quem não é do ramo deve fazer um investimento patrimonial, em que não coloca jamais uma parcela muito grande das suas aplicações ou do seu patrimônio só em ações e jamais aplica com necessidade de resgate em data certa no futuro, para fazer frente a alguma obrigação ¿ porque nesse momento o mercado pode estar em baixa. Se o seu investimento for para ganhar com os ganhos da empresa, ou dos setores do fundo em que você aplica, no médio e longo prazo, é difícil que você perca.

Quem tem um plano de pensão misto, uma parte em ações (normalmente é 30%) sendo realmente um plano de pensão, para sair dele daqui a 25 ou 30 anos, não precisa se preocupar com o valor da cota hoje. Se aplicou para sacar logo, o investidor errou. Se for sacar agora, vai perder.

Fala, internauta! Existe alguma possibilidade dos bancos brasileiros, grandes ou pequenos, terem empréstimos do tipo subprime, mas ninguém sabe? (pergunta enviada por Amauri Pierri)

José Paulo Kupfer -Empréstimos frouxos, com garantias insuficientes, nossos bancos têm. Uma parte dos juros altíssimos que eles cobram é exatamente para cobrir a inadimplência real e potencial. Mas subprime no sentido de uma podridão sistêmica dos empréstimos, isso não tem.

Os bancos brasileiros têm características muito interessantes: não são muito abertos para o exterior e seu relacionamento com o sistema internacional é bem conservador.  Nosso sistema bancário é bastante bem regulado pelo Banco Central e também nós não temos a tradição de desenvolver inovações financeiras.

"Quem não é do ramo deve fazer um investimento patrimonial, em que não coloca jamais uma parcela muito grande das suas aplicações ou do seu patrimônio só em ações e jamais aplica com necessidade de resgate em data certa no futuro"

Isso não chega a ser uma virtude e revela um certo atraso em relação aos bancos americanos e internacionais. Nossos bancos estão mais ou menos nos anos 70 em relação às instituições avançadinhas do mercado americano e internacional. Mas neste momento de crise esse atraso é uma dádiva dos céus, porque a contaminação dos bancos brasileiros é quase nula.

É preciso ressalvar que, embora sejam atrasados do ponto de vista das inovações financeiras, os bancos brasileiros são muito adiantados do ponto de vista operacional, das operações bancárias. Isso não é comum, especialmente em países emergentes. Então nosso sistema está um pouco protegido dos efeitos da crise.

Isso não significa que não haverá restrição de crédito em consequência da situação mundial e já estamos sentido essas consequências. Mas os problemas se devem muito mais a uma espécie de efeito demonstração.

Em vista da situação internacional, nossos bancos estão, neste momento, ficando mais cautelosos e seletivos gerando uma situação conhecida pelos economistas como de empoçamento da liquidez. Os bancos relutam em emprestar, inclusive a bancos menores, ainda que não estejam ilíquidos, ou seja, têm recursos e reservas para operar.

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