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Crise financeira global: é hora de tirar as aplicações da Bolsa?

A crise financeira norte-americano tem gerado preocupações e dúvidas. O iG preparou um material que responde parte das questões que vem sendo feita e abre espaço para que o internauta envie a sua pergunta. Qual a sua dúvida sobre a crise financeira?

Redação |

 

Acordo Ortográfico

O jornalista e colunista do iG José Paulo Kupfer (leia o blog aqui) vai ajudar os internautas a resolverem suas dúvidas sobre essa turbulência na economia.

Nesta terça-feira, Kupfer respondeu, entre outros internautas, à dúvida de Gerson Mazali, que perguntou sobre a desvalorização de um fundo de investimentos, e de Guilherme Santos, que questiona se os bancos norte-americanos foram surpreendidos pela crise.

Veja as respostas abaixo e envie a sua dúvida para falainternauta@ig.com.br. Ela será respondida por Kupfer e publicada no Último Segundo.

Reuters

Fala, internauta! Possuo aplicações na Bovespa, através de fundos de investimentos de um banco. Era um investimento muito bom, chegou a render até 20%, porém como qualquer outro investimento, a partir de julho a lucratividade despencou. A queda foi tão grande que, além de perder a lucratividade, já estou perdendo o capital investido. Não sei se é uma boa hora de retirar, por que estaria assumindo o prejuízo. Será que estou pensando errado, e deveria retirar para aplicar depois? (Pergunta enviada por Gerson Mazali)

José Paulo Kupfer - Esse é um exemplo claro de que perdas e ganhos em bolsa dependem fortemente do momento da aplicação e do momento do resgate. No meio do caminho, não temos perdas ou ganhos, apenas uma simulação do que está ocorrendo com a aplicação.

Se eu investi R$ 10 e resgatei a aplicação quando ela valia R$ 20, efetivamente, em termos brutos, ganhei 100%. Não importa se, no meio do caminho, a aplicação chegou a valer R$ 40 (o que daria um ganho de 300% se eu tivesse feito o resgate).

Muita gente fica perguntando para onde foi o dinheiro quando se diz que a bolsa perdeu US$ 100 bilhões ou ganhou outros tantos. A resposta é que uma parte saiu do bolso de uns e foi para o bolso de outros. É que ocorre com quem vendeu e com quem comprou. Mas, para os outros, que mantiveram suas aplicações, naquele momento não aconteceu nada ¿ talvez umas palpitações e uma descarga de adrenalina em consequência da gangorra dos pregões. O valor de mercado, que expressa a multiplicação do número de ações pela cotação dela, é uma informação de referência, não tem qualquer valor efetivo, a não ser quando uma empresa compra outra ou é vendida e põe seus papéis no negócio.

Nesse momento em que as bolsas têm perdas, alguém que comprou os papéis não faz muito tempo, a preços superiores aos de hoje, se retirar o dinheiro amanhã, terá tido perdas. Se o mesmo investidor esperar 10 anos e a bolsa voltar a ter um bom desempenho, acabará tendo um ganho. Ganhos e perdas dependem do momento da realização da aplicação. Se ele não retirar, ele não pode dizer que perdeu, só pode dizer que perdeu ou ganhou na hora em que compara com os recursos que ele investiu.

Nesse momento, quem diz que está perdendo não está expressando de maneira correta o que ocorre com sua própria aplicação. A não ser que retire o dinheiro e o montante seja inferior ao que foi aplicado, acrescido da reposição da inflação. Aí vai ter perdido mesmo.

Fala, internauta! Esta crise já tem sido comparada com a de 1929 e alguns acreditam que ela possa ser pior. Considerando que em 1929 a ciência Economia não estava preparada e que a velocidade da informação nos dias de hoje é completamente diferente daquela época, não há um exagero na comparação entre estas crises? Não estamos mais bem preparados para enfrentar uma possível crise global? (Pergunda enviada por Carlos Alberto Mont' Alvão)

José Paulo Kupfer - Fundamentalmente nós temos a experiência da crise de 29 e a maneira como se saiu dela, e isso dá uma vantagem muito grande para a saída da crise atual. O problema é que, como em 29, a economia é afetada fortemente por posições políticas, pelas idéias predominantes na época e aquelas que começam a superar as vigentes. A economia não é uma ciência exata, ela está mais próxima da psicologia do que da física e a complexidade do comportamento humano se reflete nas suas atitudes.

Temos mais informações sobre a crise de 29, mas podemos ser ludibriados por elementos político-ideológicos. A discussão do momento, se deve haver ou não intervenção do governo na economia, é parte dessa questão. Em 29 houve intervenção. Depois de um período de gestação, alimentado por crises recorrentes, ocorreu a descoberta de que o governo tinha papel ativo no desenrolar do fenômeno econômico. Foi com aumento da renda gerada pelos gastos do governo ¿ o que, na essência, marcou o New Deal, o programa de recuperação executado pelo governo Roosevelt, nos Estados Unidos ¿ que a economia conseguiu se recuperar.

Não é tão simples como de certa maneira foi em 29, até porque, hoje, há uma dominância muito maior dos aspectos financeiros. Mas a discussão se a intervenção soluciona ou se é melhor deixar o mercado resolver o imbróglio atual está ainda presente, tornando complexa a solução da crise.

Fala, internauta! Os bancos americanos foram pegos de surpresa ou esta situação já era esperada? (Pergunta enviada por Guilherme A. Santos)

José Paulo Kupfer - Não, muita gente alertava para os riscos da crescente geração de ativos financeiras e do assustador incremento na velocidade do seu giro. Houve, nos últimos anos, uma aceleração espantosa do processo de financeirização da economia, com a aplicação de inovações tecnológicas propiciadas pela informática e o impulso de uma injeção sem precedentes de liquidez nos mercados. Era, em resumo, previsível o que iria ocorrer.

O problema é que, no meio da viagem, os participantes da festa não conseguem enxergar o perigo. Exacerbaram as situações em que, vamos resumir de modo meio rústico, quem tinha vendia não tinha papel (ou produto) e que comprava não tinha dinheiro, mas prometia acertar as contas lá na frente. Mantiveram-se pedalando a bicicleta, cada vez em velocidade maior, até se chocarem contra o muro, produzindo um crash. Num sistema desse tipo, quuando algo falha há o efeito dominó, que é o que acontece agora.

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