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Crise financeira aumentará desigualdade de renda, diz OIT

Genebra, 16 set (EFE).- A atual crise financeira mundial aumentará a desigualdade de renda entre os trabalhadores, que já cresceu de forma dramática na maioria dos países desde a década de 90, advertiu hoje um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

EFE |

A crise do crédito e o colapso das bolsas começam a afetar as decisões e investimentos das empresas, assim como a renda dos trabalhadores e o emprego, diz o relatório intitulado "Desigualdades de Renda na Era da Globalização Financeira".

"O relatório mostra uma tendência clara" de que "na maioria dos países o hiato entre as famílias ricas e as pobres se alargou desde o início dos anos 90, e os salários mais altos cresceram mais rápido", disse o diretor do estudo, Raymond Torres, ao apresentá-lo hoje em Genebra.

Dois terços dos países experimentaram esse aumento na desigualdade de renda, acrescenta o relatório.

Os analistas ressaltaram que, enquanto o custo das medidas para resgatar o sistema financeiro recairá sobre todos, "os benefícios do precedente período de expansão estavam distribuídos de maneira desigual".

Segundo a OIT, em 51 dos 73 países analisados a massa salarial diminuiu em proporção à renda nacional nas duas últimas décadas.

A maior diminuição foi registrada na América Latina e Caribe (-13 pontos percentuais), seguida da Ásia-Pacífico (-10 pontos) e das economias avançadas (-9 pontos).

No mesmo período, a brecha entre os 10% de assalariados com maior renda e os 10% com menor renda aumentou 70%.

Embora o emprego mundial tenha crescido 30% nas duas últimas décadas, os trabalhadores receberam uma parcela menor dos frutos do crescimento econômico.

Raymond destacou que "apesar de um certo grau de desigualdade salarial" ser "útil para a economia, pois valoriza o talento, a inovação e o empenho", quando essa desigualdade é grande demais torna-se prejudicial "para a sociedade e para a eficiência econômica".

"Frente à forte moderação de seus salários, os trabalhadores tiveram que se endividar cada vez mais" para poder fazer investimentos imobiliários, e manter o consumo, "e em alguns países esta situação sustentou a demanda doméstica e o crescimento econômico... mas a crise pôs em evidência os limites deste modelo de crescimento", afirma o relatório.

Além disso, a brecha de renda entre os altos executivos e o trabalhador médio está crescendo cada vez mais.

Por exemplo, em 2007, os diretores executivos das 15 maiores empresas dos Estados Unidos receberam salários que eram mais de 520 vezes superiores ao do trabalhador médio, contra uma diferença de 360 vezes em 2003.

Outro fator que o relatório destaca como causador destas crescentes desigualdades é o grande aumento da incidência dos empregos informais observado na maioria dos países nos últimos 15 anos, pois estes trabalhadores recebem uma remuneração muito menor do que os trabalhadores em situação regular.

Finalmente, ele destaca que o regime tributário é cada vez menos progressivo na maioria dos países, por isso menos capaz de redistribuir os lucros do crescimento econômico.

Segundo os dados do relatório, entre 1993 e 2007 a taxa média do imposto às empresas diminuiu 10 pontos percentuais nos países analisados.

no caso do imposto sobre a renda das pessoas físicas, as taxas sobre rendas altas foram reduzidas em apenas 3 pontos no mesmo período.

O relatório prevê que a desigualdade de renda continuará aumentando, e adverte que isto pode levar a uma incidência maior de crimes, menor expectativa de vida e, no caso dos países mais pobres, desnutrição e evasão escolar. EFE vh/ab

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