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Crise financeira ameaça a segurança alimentar

A crise financeira constitui uma ameaça a mais para a segurança alimentar no mundo, num momento em que quase um bilhão de pessoas passam fome, advertiu nesta segunda-feira o secretário-geral da FAO - organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, Jacques Diouf, na abertura de uma conferência internacional.

AFP |

Os representantes de 95 países iniciaram em Madri uma reunião "de alto nível" sob o patrocínio da ONU para avançar no caminho da "segurança alimentar para todos".

Os países participantes vão tentar concretizar as promessas feitas durante a cúpula da FAO de junho de 2008 em Roma para erradicar a fome, num momento de "profunda crise" econômica "não facilita nossa missão", destacou Diouf.

"A contração dos preços agrícolas (observada desde julho de 2008) e a incerteza financeira podem provocar uma queda nos investimentos dos agricultores, o que significaria uma importante redução da produção em 2009/2010", explicou.

A produção de cereais aumentou em 2008, mas este aumento vem principalmente dos países ricos, e o número de pessoas que sofrem da fome cresceu 40 milhões em 2008, chegando a 973 milhões", lembrou Diouf.

A reunião de Madri "é uma oportunidade para fazer anúncios concretos", insistiu, lembrando que a produção alimentar deveria dobrar daqui a 2050 para satisfazer as necessidades da população mundial.

Para a diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, Josette Sheeran, garantir a "segurança alimentar para todos é uma prioridade não negociável".

O ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Angel Moratinos, também defendeu um "aumento significativo dos meios financeiros" e a instauração de uma "aliança mundial para a agricultura".

Diouf frisou que os esforços individuais de alguns países não são suficientes, e promoveu uma mobilização geral para "garantir este direito fundamental que é a alimentação".

"Assumimos o compromisso de desenvolver uma nova parceria com os países doadores, os países em desenvolvimento, as agências da ONU e as ONG para coordenar melhor as políticas" de combate à fome e à pobreza", declarou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em uma mensagem de vídeo.

Os Estados Unidos enviaram apenas uma delegação de altos funcionários a Madri.

A crise alimentar "é uma ameaça mais atual do que nunca", apesar da queda relativa dos preços dos produtos agrícolas registrada nos últimos meses, avisou a organização humanitária Oxfam.

"A recessão econômica mundial constitui uma ameaça suplementar, pois limita a capacidade dos países do sul de instalar mecanismos de proteção social para os mais vulneráveis", alertou a Oxfam.

Diante deste "círculo vicioso", a organização sugere "aumentar a proteção social das populações vulneráveis" através de programas de obras públicas, da instauração de salários mínimos e de transferências financeiras.

A reunião deve ser concluída nesta terça-feira, na presença do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, com uma "declaração de Madri" reunindo as propostas concretas dos participantes para eliminar a fome no mundo.

ot/yw/sd

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