Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Crise fez conta corrente fechar 2008 com o pior resultado em 10 anos

BRASÍLIA - A crise mundial abalou o resultado das contas externas do país em 2008, que fechou com o pior resultado em 10 anos. E as perspectivas para 2009 também são ruins, de acordo com o Banco Central (BC), tendo em vista que o mercado de crédito internacional continua seco e que o saldo da balança comercial deve diminuir US$ 10 bilhões em relação ao ano anterior.

Valor Online |

A boa notícia é a enxurrada de investimento direto externo (IED), que marcou recorde em US$ 45,06 bilhões em 2008, revelando "que o investidor estrangeiro ainda tem uma boa percepção da economia brasileira", apesar da crise, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Para 2009, a autoridade monetária projeta, "conservadoramente", o ingresso líquido de US$ 30 bilhões em IED. Somente neste mês até hoje já entraram US$ 2,1 bilhões para o setor produtivo, com expectativa de US$ 2,5 no fechamento do mês.

Mas os dados divulgados hoje pelo BC mostram que a conta corrente (que mede as transações financeiras, de comércio e serviço com o exterior) ficou deficitária em 2008 em US$ 28,3 bilhões, abaixo apenas do recorde negativo em US$ 33,4 bilhões de 1998.

Lopes comentou que o resultado "seria muito pior", não fosse a mudança na composição do passivo externo do país e a "postura de acumulação de ativos como as reservas". Em outras crises, lembrou, com o passivo externo concentrado em dívida, a carga de juros elevada afetava as contas externas de forma mais drástica.

"A dívida externa caiu, o país passou a credor externo e tem uma despesa menor de juros, além de ter receitas expressivas com juros das reservas internacionais", citou o executivo do BC.

A conta de juros líquidos em 2008 ficou em US$ 7,23 bilhões, o valor mais baixo desde US$ 6,33 bilhões pagos em 1994. Enquanto isso, as reservas renderam US$ 7,193 bilhões ao país.

Para janeiro, Lopes projeta déficit de US$ 3,2 bilhões na conta corrente, e mantém a expectativa de US$ 25 bilhões negativos em 2009.

"A despeito da crise mundial, que não dá para dizer quando vai parar, a conta corrente terá uma melhora sobre 2008", comentou Lopes.

A "secura" no crédito internacional dificultando o refinanciamento de compromissos externos por empresas brasileiras; a queda de preços das commodities minerais por redução de demanda dos países avançados em recessão e a retração na lucratividade interna a diminuir as remessas de lucros das multinacionais são alguns dos fatores para o déficit da conta corrente no ano.

Lopes lembra que a balança comercial deve ser superavitária em US$ 14 bilhões, ante US$ 24,75 bilhões em 2008. Para as exportações, o BC projeta queda de 4%, ante uma expansão de 23% ano passado, enquanto as importações também reduzirão o ritmo de alta para 1%, em relação aos 44% de crescimento em 2008.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG