O agravamento da crise internacional trouxe prejuízos para a estratégia do Tesouro Nacional de financiamento da dívida interna em títulos públicos, que fechou agosto em R$ 1,22 trilhão, com crescimento de R$ 18,79 bilhões em relação ao estoque de julho. Com o aumento da aversão ao risco pelos investidores, o Tesouro foi obrigado a vender papéis com prazos de vencimentos mais curtos e reduzir a oferta de títulos prefixados - considerados de menor risco para o governo.

Apesar das dificuldades com a demanda e com os prêmios mais altos pedidos pelos investidores, o Tesouro tem tido uma ajuda extra: o baixo volume de vencimentos até o fim do ano. Em agosto, eles somaram apenas R$ 5,21 bilhões, o que permitiu ao Tesouro fazer uma emissão líquida de R$ 6,1 bilhões, depois de meses seguidos de resgate líquido de papéis.

O cenário internacional levou à revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF), que estabelece as metas para a gestão da dívida ao longo do ano. O Tesouro teve de reduzir o ritmo de aumento da parcela de prefixados no total da dívida. Em agosto, os papéis tiveram ligeira subida, de 30,88% para 31,45% do total, após terem caído no mês anterior para o menor patamar desde julho de 2006.

O coordenador de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, reconheceu ontem que a crise afeta a estratégia do Tesouro para gerir a dívida: "A administração é sempre pautada de acordo com as condições de mercado. Qualquer movimento de mercado que modifique as condições de demanda tem uma resposta por parte da estratégia do Tesouro".

O coordenador também admitiu que a procura por títulos com vencimentos curtos já afetou o prazo médio da dívida em agosto, que caiu de 41,33 meses para 40,53 meses. "As emissões foram realmente com prazo menor e refletem a adaptação de estratégia. Em momentos de maior volatilidade, o mercado demanda mais títulos de prazos curtos e menos de prazos longos", afirmou. Segundo o coordenador, o Tesouro vem tendo uma postura mais cautelosa, que é mantida em setembro.

Com a desvalorização do real frente ao dólar, a dívida pública externa aumentou 3% em agosto, atingindo R$ 96,3 bilhões. A dívida pública federal total subiu no mês 1,66% para R$ 1,319 trilhão. A taxa de câmbio afetou o custo médio da dívida: 15,02% ao ano, em agosto. Mas no acumulado em 12 meses, ficou em 11,95%, abaixo dos 12,23% no acumulado até julho.

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