A Companhia Albertina, usina localizada em Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto (SP), foi a primeira empresa do setor sucroalcooleiro a sucumbir às crises de preços e de liquidez e entrou com pedido de recuperação judicial. A empresa informou, por meio de um comunicado, que entrou com o pedido para tornar viável a concretização do acordo de repactuação da dívida financeira, em linha com as negociações que vêm se desenrolando ao longo dos últimos três meses com os seus credores (bancos, fundos e outros agentes financeiros).

O comunicado informa ainda que a recuperação judicial permitirá que as atividades da empresa sigam "em regime de normalidade", bem como possibilitará, ao longo do tempo, o equacionamento dos problemas de liquidez pontuais ocorridos durante esta safra. "Ao mesmo tempo, a empresa e seus principais credores continuarão a trabalhar em um acordo que permitirá o alongamento das obrigações, de forma a adequar o vencimento da dívida à capacidade de geração de caixa."

Na empresa, ninguém quis se manifestar sobre o assunto, nem informar a situação financeira da Companhia Albertina. O contato apresentado à Agência Estado para informações complementares foi da Arsenal Investimentos, empresa especializada, entre outras coisas, em administração de fundos e reestruturações financeiras.

A Companhia Albertina, segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar, processou, na safra passada, 1,511 milhão de toneladas de cana, produzindo 148,56 mil toneladas de açúcar e 33,77 milhões de litros de álcool. Além de uma greve de cortadores de cana, enfrentou outros problemas na safra atual, como o atraso no pagamento de fornecedores.

Ofuscada pela crise financeira e pela queda nos preços do petróleo, começa na semana que vem em São Paulo a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis. Quando a idéia de realizar o evento surgiu, no fim do ano passado, o etanol e outros combustíveis de origem agrícola viviam sob bombardeio: eram acusados de provocar desmatamento e alta do preço dos alimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva queria uma grande reunião, com a presença de George W. Bush e outros líderes mundiais, para pôr essas questões em pratos limpos.

Bush não virá, tampouco outros chefes de Estado. Os funcionários de mais alto nível hierárquico a participar da reunião serão ministros, que deverão chefiar cerca de 50 das 80 delegações que confirmaram presença.

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