Estender o braço para conseguir um táxi amarelo em poucos segundos é um gesto atávico do nova-iorquino, mas a alta dos preços dos combustíveis está transformando isso num luxo difícil de sustentar.

Com a gasolina acima dos US$ 4 o galão (2,78 litros), os motoristas de táxi afirmam que sua atividade se aproxima de um momento crítico, podendo deixar de ser viável uma vez que o custo com o combustível ultrapasse os lucros com as corridas.

"Estamos chegando ao ponto de trabalhar 12 horas para pagar os gastos, e não sobra muita coisa como lucro", relatou à AFP Bhairavi Desai, presidente da Aliança de motoristas de táxi de Nova York.

Desai, cuja organização representa 10.000 dos 42.000 motoristas de táxi da cidade, exige o complemento de um dólar por viagem para compensar a alta. A prefeitura se nega a adotar a compensação, mas as negociações continuam.

"Não acho que, a esta altura, precisemos de um extra para os táxis", disse o prefeito Michael Bloomberg, que em 2004 consentiu num aumento de 26% e dois anos depois aceitou duplicar a tarifa aplicada nos engarrafamentos.

A crise não atinge todos da mesma forma. Empresas que possuem grandes frotas de táxi sobrevivem melhor do que aqueles que exploram o próprio veículo, que por sua vez são beneficiados quando alugam suas licenças para imigrantes recém-chegados.

Ao todo, 82% dos motoristas de táxi de Nova York são estrangeiros, que representam uma mão-de-obra barata e uma densidade de veículos que não existe em nenhuma outra grande cidade do mundo, onde conseguir um carro é mais difícil.

Antes da crise, um motorista levava pelo menos US$ 80 para casa depois de um dia de trabalho, que normalmente é de 12 horas. "Temos que trabalhar mais duro e circular mais", disse Singh. Assim, no entanto, mais combustível é consumido.

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