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Crise encolhe planos de eleitos na Venezuela

CARACAS - Apesar do alto simbolismo político das eleições regionais realizadas ontem na Venezuela, os novos governadores e prefeitos terão pouco espaço para colocar em prática as promessas de campanha, como reduzir a criminalidade e melhorar a distribuição de renda. Os recém-eleitos administradores vão enfrentar uma desaceleração da economia, provocada pela crise financeira global.

Valor Online |

Economistas locais ouvidos pelo Valor projetam crescimento entre zero e 4% para o país em 2009, abaixo dos 6% deste ano. Os venezuelanos foram às urnas ontem para eleger 22 governadores, 328 prefeitos e 233 legisladores estaduais.

Com a forte queda dos preços do petróleo, principal fonte de renda e exportação do país, os repasses do governo federal para Estados e municípios devem despencar. Em um país cada vez mais centralizado, os governos locais quase não dispõem de arrecadação própria e são dependentes do governo federal. Durante a campanha, o presidente Hugo Chávez ameaçou cortar os repasses de recursos para as regiões onde fossem eleitos " contra-revolucionários " , apesar da lei venezuelana proibir esse tipo de medida.

" A situação fiscal dos Estados e municípios é muito precária " , disse o economista José Guerra, professor da escola de economia da Universidade Central da Venezuela. Ele explica que as regiões recebem do governo federal o equivalente a 20% da arrecadação do país, sejam provenientes do petróleo ou de outras atividades, que, no caso da Venezuela, restringem-se a comércio e serviços. Os municípios também cobram o imposto predial e territorial, mas não chega a representar 5% do orçamento.

Às vésperas das eleições, o preço do petróleo venezuelano ficou US$ 40,68 por barril na média da semana passada, o nível mais baixo dos últimos dois anos, conforme o ministério de Energia e Petróleo do país. Em meados de julho, a cesta venezuelana de petróleo chegou ao recorde de US$ 126 o barril. A cotação do barril está abaixo da média de US$ 93,90 deste ano e dos US$ 64,74 de 2007. Segundo o ministério, a queda é consequência das " preocupações com a economia global " e " indícios de menor demanda por energia " . Por conta da baixa qualidade, que aumenta o custo do refino, o petróleo venezuelano está 24,5% abaixo da média de US$ 53,92 por barril em Nova York na última semana.

Segundo Asdrubal Oliveros, diretor da Ecoanalítica, a queda dos preços do petróleo e a desaceleração da economia devem reduzir sensivelmente os ingressos fiscais do país, prejudicando também Estados e municípios. A consultoria projeta uma queda de 30,6% na arrecadação proveniente do petróleo em 2009, que recuaria do equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano para 10,4%. Com os ingressos provenientes de outros impostos praticamente estáveis, a arrecadação total do país cederia de 24,5% do PIB em 2008 para 21% em 2009.

Entre 2005 e 2007, a economia venezuelana cresceu em média 10,8%, uma das taxas mais altas da América Latina, conforme dados do Banco Central da Venezuela compilados pelo Centro de Investigações Econômicas. Se o preço do petróleo se mantiver em patamares baixos, as perspectivas dos economistas para o crescimento da economia são sombrias. As estimativas variam de algo próximo de zero ao máximo de 4%. Mesmo na expectativa mais otimista, significa uma desaceleração comparado com os 6% que devem ser registrados este ano. A projeção da Ecoanalítica está entre as mais baixas do mercado: apenas 0,6% em 2009. " A expansão da economia estava baseada no consumo, que deve cair " , disse Oliveiros.

Para o analista Luís Vicente León, do Instituto Datanálisis, o crescimento da economia venezuelana deve ficar entre 2% e 4% em 2009. " A crise financeira global é perversa e afeta a todos os países. No próximo ano, a desaceleração da economia venezuelana será severa " , disse.

Para o José Guerra, da Universidade Central da Venezuela, " a recente fase de crescimento da Venezuela está concluída " . Ele projeta crescimento de apenas 2% em 2009. Se os economistas estiverem corretos, governadores e prefeitos eleitos ontem terão um início de mandato bastante complicado.

(Raquel Landim | Valor Econômico)

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