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Crise econômica dificulta divórcios, diz especialista

NOVA YORK - Bonnie Rabin gosta de comparar advogados com lojas de bebidas, que têm mais trabalho nos melhores tempos e nos piores. Estes, com certeza, são os piores dos tempos.

AP |

Afinal, "o dinheiro é a grande fonte de problemas nos relacionamentos", afirma Rabin, sócia de uma empresa de representação legal em Manhattan, que fala com a autoridade de alguém que passou duas décadas negociando com casais em dificuldades.

"Você pensa que seria o sexo ou as crianças. Mas não, no fundo se trata do dinheiro", ela diz.

Portanto, não é surpresa que em tempos de crise - quando "todos os dias um de meus clientes perde o emprego", conta Rabin - os relacionamentos em dificuldades passem por mais problemas. Assim, uniões antes sólidas começam a se desfazer.

Mas isso não significa que todos estejam correndo para a corte.
Simplesmente revela que cada passo do processo é mais complicado.
Romper uma união com a economia neste estado é, aparentemente, muito mais difícil de se fazer.

Então, ainda que alguns clientes e Rabin resolvam assumir os custos, outros preferem esperar, imaginando que conseguirão sobreviver ao pior da crise, que suas casas voltarão a se valorizar, que suas ações irão subir novamente.

"Ultimamente, muitas pessoas não conseguem manter nem mesmo uma casa, muito menos duas com hipotecas, aluguéis, tevê a cabo, eletricidade, telefone, planos de saúde", diz Rabin.

Outro grupo que ocupa o tempo de Rabin atualmente são os clientes divorciados que não conseguem cumprir obrigações assumidas em tempos melhores.

Segundo Rabin: "Eles dizem, 'Eu simplesmente não tenho como pagar pela escola particular, o acampamento de férias, as aulas de piano e arte. Eu sei que o juiz mandou que eu fizesse isso, mas não tenho mais como arcar com todas essas despesas'. E então temos que voltar à corte para negociar novamente".

Seja qual for a situação de um cliente (divorciado ou não) este é o momento de enfrentar a crua realidade. Assim, novembro começou com Rabin em uma corte do Brooklyn, argumentando com o juiz que seu cliente, dono de uma fábrica que perdeu muito nos últimos meses, não tem mais como pagar pensão.

"A outra parte tem expectativas", diz Rabin. "Ela não consegue entender porque as coisas serão diferentes. Mas não se trata apenas de pobreza súbita. Tudo isso é verdade. Os dias de glória terminaram".

Ainda é muito cedo para sabermos o impacto da crise econômica no índice de divórcios. Sabemos que a prática está em declínio nos Estados Unidos há 25 anos, depois de um auge em 1981. Apesar da ideia comum de que um em cada dois casamentos terminam em divórcio, muitos especialistas afirmam que o número real está entre 40% e 45%.

O índice de divórcio caiu muito durante a Grande Depressão dos anos 1930 (os casais também adiaram a união formal) mas isso não foi necessariamente algo bom, segundo Stephanie Coontz, que ensina história da família na Faculdade Evergreen State em Olympia, Washington.

"Na época disseram que a santidade do casamento estava sendo recuperada", diz Coontz. "Mas a violência doméstica aumentou. Quando as pessoas são forçadas a ficar juntas por questões econômicas, isso não faz bem a elas ou a seus filhos".

Algumas evidências mostram que os divórcios diminuíram nos últimos meses. Coontz diz que ter ouvido de alguns advogados que poucas pessoas deram entrada no processo ultimamente e a Acadêmia Americana de Advogados Matrimoniais obteve a mesma resposta de seus membros.

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