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Crise é processo em andamento, diz presidente do BCE

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, evitou afirmar de forma peremptória que o pior da crise já passou. É um processo em andamento, disse durante entrevista coletiva à imprensa logo após a primeira parte da reunião bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), que acontece em São Paulo.

Agência Estado |

Ele não deu sinais de que durante o encontro pela manhã, realizado com representantes de 30 bancos centrais de todo o mundo, tenha havido preocupação severa com uma eventual piora da turbulência. Trichet salientou, no entanto, que a crise teve início em 2007, mas que "no período recente mostrou uma intensificação das tensões".

O encontro realizado hoje em São Paulo é o primeiro desde que o banco norte-americano Lehman Brothers declarou concordata, em 15 de setembro, fato este denominado pelo mercado como o marco do recrudescimento da crise.

Sobre o comportamento da inflação, a avaliação de Trichet, também presidente do Global Economy Meeting, é de que os riscos de alta "diminuíram significativamente". Ele citou que as expectativas estão sendo controladas e que em alguns países até houve certo alívio. "Não diria que estamos discutindo um fenômeno de deflação, mas um fenômeno de desinflação", explicou, numa avaliação diferente da que apresentou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante o encerramento do encontro de representantes do G-20. Segundo Mantega, os riscos globais para o médio e longo prazo estão mais associados à deflação do que a uma aceleração dos preços, já que, de acordo com ele, a expectativa é de que haja uma redução da atividade global em função da crise.

Trichet ressaltou, porém, que há alguns países ainda que contam com uma inflação elevada e salientou que políticas fiscal e monetária, portanto, devem ser geridas caso a caso, país a país, levando em conta a dinâmica da evolução dos preços.

Para o presidente do BCE, os países que têm inflação sob controle e condições fiscais de equilíbrio, com superávit orçamentário e de conta corrente, podem adotar medidas anticíclicas a fim de reativar o nível de atividade de seus países.

Ele comemorou o pacote de US$ 586 bilhões anunciado ontem pelo governo chinês, com o objetivo de ampliar investimentos, principalmente em infra-estrutura e de pequenas e médias empresas. "A decisão do governo chinês foi na direção certa", afirmou.

Durante a coletiva, Trichet fez um balanço positivo a respeito de todas as medidas adotadas pelos bancos centrais no mundo para conter os efeitos da crise e retomar o processo de liquidez em diferentes mercados financeiros. "Adotamos uma postura proativa", resumiu. Ele lembrou que os BCs procuraram atacar em duas frentes: a primeira, provendo liquidez aos mercados e a segunda, garantindo a solvência de instituições financeiras. Com isso, os governos dos EUA, Reino Unido, França e Alemanha optaram por comprar participação acionária em bancos privados a fim de evitar a quebra de tais instituições, o que poderia deflagrar um risco sistêmico.

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