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RIO - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que a crise americana não terá impactos significativos sobre o crescimento da economia brasileira neste ano. De acordo com o coordenador da Carta de Conjuntura do instituto, Marcelo Nonnenberg, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2008 deve ficar próximo da projeção divulgada em março pelo organismo, de 5,2%.

"É possível que a economia cresça mais e que o teto seja furado. Nossas previsões não foram refeitas, mas não ficaremos tristes se o teto for furado", afirmou.

O economista responsável pela análise do nível de atividade econômica, Leonardo Mello, ressaltou que um crescimento zero nos dois últimos trimestres do ano garantiria um avanço de 4,7% no PIB em 2008, enquanto uma desaceleração do ritmo para 0,5% em cada trimestre significaria um crescimento anual de 5,1% na economia.

Nonnenberg comentou que o maior impacto da crise americana deve ocorrer sobre o fluxo comercial brasileiro, via queda dos preços das commodities. Para ele, as exportações brasileiras devem sofrer influência mais forte, mas apenas no ano que vem.

"A desaceleração da economia mundial é cada vez mais previsível e nossas exportações sofrerão impacto", frisou.

O economista prevê ainda uma redução nos investimentos estrangeiros no país, mas analisa que isso não deverá ocorrer sobre investimentos já em andamento. "Não acredito que os investimentos em curso serão reduzidos. O nível de utilização da capacidade instalada é alta, o que motiva os empresários a continuar os investimentos já feitos", finalizou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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