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Crise dos alimentos gera oportunidades e problemas no Mercosur

O encarecimento dos produtos agrícolas é uma oportunidade de crescimento econômico, mas também motivo de problemas dentro do Mercosul e ameaça a governabilidade, segundo os presidentes do bloco reunidos nesta terça-feira em Tucumán (norte argentino).

AFP |

"Não deveríamos ver isso no curto prazo, e sim no longo prazo. A longo prazo pode ser uma solução importante para os problemas de nossos países", disse o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula, cujo país é um dos maiores produtores de alimentos do continente, argumentou que o aumento da demanda por produtos agrícolas tem seu lado positivo: há mais pobres tendo acesso a comida.

"Nunca estivemos tão perto de resolver este problema (alimentos) com nossas próprias forças. Acredito que podemos das as respostas que o mundo precisa", afirmou.

O elevado preço dos alimentos dominou boa parte dos discursos da cúpula do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com a Venezuela em processo de adesão. Também participarão do encontro de Tucumán, 1.300 km ao norte de Buenos Aires, os presidentes Michelle Bachelet (Chile) e Evo Morales (Bolívia).

O aumento dos preços dos produtos agrícolas trouxe benefícios para os países exportadores, mas também pressões inflacionárias empurradas pela escalada da cotação do petróleo.

A questão dos alimentos tem gerado sérios problemas políticos para a presidente argentina Cristina Kirchner, que sete meses depois de assumir enfrenta a ira do setor agropecuário devido aos impostos sobre as exportações de grãos estabelecidos para tentar conter a inflação.

Essa situação dificultou as possibilidades brasileiras de importar o trigo argentino de que necessita para atender sua demanda. Kirchner e Lula discutiram o tema em uma entrevista horas antes da Cúpula.

A decisão argentina de taxar as exportações de grãos foi abertamente rejeitada pelo presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez.

"O impacto das detrações (ou retenções, impostos sobre as vendas externas) argentinas cria prejuízos para o Uruguai", disse Vázquez em sua intervenção.

A pedido do Uruguai, ficou suspensa uma proposta argentina de incorporar os impostos agrícolas à normativa comercial do Mercosul.

"Esses temas poderiam ser discutidos conjuntamente", defendeu Vázquez, destacando que o Mercosul deve fomentar a integração dos processos de produção de seus países membros.

"A América Latina pode produzir os alimentos necessários para abastecer seu mercado interno e uma parte da humanidade, e tem recursos humanos para fazê-lo", afirmou.

Por sua vez, Cristina Kirchner disse que "a economia da especulação que estava circunscrita normalmente ao âmbito financeiro e ao mercado do dinheiro, especificamente do crédito, começa a se transferir para o mundo dos alimentos".

A pedido da Venezuela, o Mercosul formará uma comissão para examinar as necessidades alimentares de cada país, trabalhando em função desses dados.

gm/ap/sd

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