Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Crise de governo agrava instabilidade no Paquistão

SÃO PAULO - A coalizão de governo do Paquistão ruiu, afetada por problemas internos exatamente uma semana depois de seus dois principais partidos terem mostrado unidade para forçar a renúncia do presidente Pervez Musharraf. Por enquanto, a saída do segundo maior partido da coalizão não deve derrubar o governo, que espera atrair partidos menores para garantir maioria no Parlamento.

Valor Online |

A crise política mostra quão instável está o país, ainda sem um novo presidente e enfrentando fatores como a pobreza e a insurgência do radicalismo islâmico. Isso tudo numa área considerada pelos EUA como fundamental na guerra ao terror e já afetada pela tensão nuclear - tanto o Paquistão quanto a vizinha Índia, dois países com problemas de fronteiras, têm armas nucleares.

A coalizão chegou ao fim depois de o ex-premiê paquistanês Nawaz Sharif anunciar que seu partido havia se retirado e assumido o papel de oposição. Segundo Sharif, o partido da primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, que lidera a coalizão, havia descumprido várias promessas a respeito da solução de uma disputa judicial e a respeito de quem deve ser o próximo presidente do Paquistão.

Sentimos que essas omissões e essas violações nos obrigam a retirar nosso apoio à coalizão governista e passar para o lado da oposição , disse o ex-premiê.

Analistas afirmam que a debandada da legenda de Sharif não levaria a uma nova eleição geral já que o Partido do Povo Paquistanês (PPP), de Bhutto, deve conseguir apoio para se manter no poder.

Com a renúncia do presidente, a coalizão, formada depois de os aliados do general Musharraf terem sido derrotados na eleição geral de fevereiro, mostrou-se cada vez mais instável. O PPP e o partido de Sharif eram rivais declarados nas décadas de 1980 e 1990, quando Bhutto e o ex-premiê foram ambos escolhidos duas vezes para o cargo de primeiro-ministro. No entanto, mais recentemente, as legendas encontraram um terreno em comum ao fazerem oposição a Musharraf - o qual chegou ao poder em 1999 num golpe de Estado que derrubou Sharif.

A saída de Sharif, de toda forma, mina a lógica da aliança deles, disseram analistas.

O ex-premiê retirou seus ministros do gabinete de governo depois de ter chegado ao fim um prazo para que fossem recolocados em seus cargos juízes afastados por Musharraf.

Segundo analistas, o PPP está relutante em reinstalar os juízes em parte devido à suspeita de que o presidente do tribunal máximo do país poderia aceitar a denúncia contra a anistia conferida a Ali Zardari e a outros líderes do partido acusados de corrupção. Zardari é viúvo de Benazir Bhutto e favorito para ocupar a Presidência, após a eleição no Senado marcada para o dia 6 de setembro.

Antes de Musharraf tê-los tirado do cargo, os juízes - e o ex-presidente do tribunal, em particular - mostravam-se bastante dispostos a desafiar a legalidade de várias medidas adotadas pelo governo dele, uma tendência que o PPP, agora no governo, não vê com muito entusiasmo.

(Valor Econômico, com agências internacionais)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG