Por Denise Luna RIO DE JANEIRO, 10 de dezembro (Reuters) - Mercado menor do que o esperado, chuvas acima da média e adiamento do impacto de um plano de demissão voluntária para 2010 levaram a Companhia Energética de Minais Gerais a reduzir sua expectativa de Ebitda em 2009.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi revisado para uma faixa entre 3,950 bilhões de reais a 4,150 bilhões de reais, contra 4,551 bilhões de reais a 5,100 bilhões de reais previstos anteriormente.

Segundo o diretor de Finanças, Relações com Investidores e Controle de Participações, Luiz Fernando Rolla, as demais previsões da empresa para os anos seguintes até 2012, anunciadas em maio desse ano, serão modificadas depois da revisão tarifária da companhia em abril.

"Naturalmente ainda temos dois meses a considerar (novembro e dezembro), pode haver alguma alteração, mas acreditamos que vai ser próximo disso", disse Rolla sobre a revisão em teleconferência com analistas, nesta quinta-feira.

"O resultado da nossa distribuidora no terceiro trimestre foi muito aquém daquilo que estimávamos que era possível alcançar, por isso preferimos um guidance mais conservador", complementou.

Ele informou que os gastos com manutenção e reparação por conta das intensas chuvas que assolaram o Estado de Minas Gerais foram maiores do que o ano passado e a economia esperada com a demissão de funcionários foi adiada junto com o programa de demissão voluntária.

"O ganho com o programa não se verificou, porque a grande maioria está saindo em outubro/novembro/dezembro....o impacto vai se dar em 2010, devemos ter captura de 80 por cento do ganho", disse, estimando a economia em cerca de 100 milhões de reais.

INDÚSTRIA FORTE NO 4o TRI

Ele destacou que no quarto trimestre o consumo de energia da indústria será bem mais forte do que no quarto trimestre do ano passado, auge da crise financeira, e que por este motivo a média de volume de venda de energia no ano deve ser parecida com a do ano passado, já que os três últimos meses fortes vão compensar o início fraco do ano.

"Na comparação com o quarto trimestre do ano passado vocês vão perceber um crescimento muito forte (no setor industrial)... até setembro houve queda muito grande do industrial, porque até terceiro trimestre do ano passado não tinha iniciado o processo de crise", explicou.

Segundo ele, as perspectivas para 2010 nesse segmento "são as mais promissoras possíveis". Os segmentos residencial e comercial continuam com resultados positivos, observou.

Rolla assegurou que até o final do ano não será concluída nenhuma negociação em curso, mas não deu detalhes.

"Não existe nenhuma transação a ser concluída no prazo de semanas, pode ser que se acelerem (as conversas), mas a perspectiva é concluir o ano de 2009 sem qualquer transação finalizada", afirmou. "Mas reiteramos nosso interesse na busca por melhores ativos que tragam melhor retorno para os nossos acionistas", concluiu.

Em setembro a Cemig anunciou que estava analisando a possibilidade de aumentar sua participação no grupo de controle da distribuidora de energia do Rio de Janeiro. A companhia mineira detém aproximadamente 13 por cento do capital da Light.

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