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Crise chega rápido à economia real dos EUA

Robert Bassam, magnata dos carros usados, não dirige atualmente o seu Lamborghini de US$ 415 mil, e nem o seu Porsche, e também mantém parado o carro que usava no dia-a-dia, uma BMW 750. Agora, ele transita num modelo hatch Hyundai Accent de quatro cilindros.

Agência Estado |

É mais politicamente correto, diz ele. E economicamente correto: ele não se sente bem andando num veículo de luxo quando a economia está naufragando.

"Não está sentindo? Eu posso senti-la no ar - a negatividade!" ele diz enquanto caminha pelo estacionamento da Easterns Select, sua revendedora próxima a Tysons Corner. O ar está na verdade algo revigorante mas, no salão, e nas revendedoras de todo o país, o clima é lúgubre e piora a cada dia.

O número de vendas do setor automobilístico americano no mês de setembro foi de virar o estômago. Bassam, ex-entregador de pizza que transformou o Easterns Automotive Group numa potência regional, foi obrigado a marcar seu vigésimo aniversário de atividade no ramo com o fechamento de 2 das suas 16 filiais e a demissão de 60 funcionários.

Os problemas de Wall Street estão chegando via entrega expressa a Leesburg Pike e a todas as outras ruas comerciais da América. É como um contágio, que agora se dá sob a forma da falta do crédito.

Poucas semanas atrás, a crise fora sentida principalmente nos conselhos diretores de Wall Street, naquele universo de derivativos, das trocas de garantias contra calotes e dos exóticos títulos lastreados em hipotecas. Então veio a falência de grandes bancos e casas de investimento, e os bancos sobreviventes começaram a desconfiar uns dos outros, diminuindo muito o volume de empréstimos feitos entre eles. Agora a dor é sentida na chamada "economia real", o terreno dos empregos, bens, serviços - e das pessoas que compram e vendem carros.

O desemprego está no ponto mais alto em sete anos, e as encomendas junto às montadoras apresentam forte baixa. Os governos dos Estados estão ficando sem dinheiro. Os pequenos negócios não encontram financiamento.

Robert Litan, economista e bolsista-sênior junto à Instituição Brookings, emprestou uma metáfora do investidor Warren Buffett e comparou a economia a um paciente na mesa de operações. "Basicamente, o sangue do paciente é o dinheiro - moeda e crédito. É preciso que o dinheiro e o crédito fluam, caso contrário o paciente morre", diz.

A coagulação do crédito não se deu de maneira uniforme em toda a economia, de uma indústria para a outra, e nem entre as diferentes empresas automobilísticas e as diferentes marcas e modelos que tentam vender. É ainda possível conseguir empréstimo para a aquisição de um carro, mesmo com crédito aquém da perfeição. Mas as condições mais favoráveis estarão provavelmente associadas aos veículos menos desejados. As revendedoras ainda oferecem financiamento sem juros, por exemplo, para as vendas de certos veículos esportivos e utilitários que encalharam nos pátios desde que o preço da gasolina começou sua vertiginosa ascensão. Enquanto isso, o leasing tornou-se mais caro.

A disponibilidade e os termos de um dado empréstimo, seja destinado à compra de uma casa, de um carro ou simplesmente à fatura do cartão de crédito, depende da avaliação de crédito do freguês. Há dois anos, uma pessoa cujo crédito fosse avaliado em 580, numa escala de 350 a 850, poderia perfeitamente obter uma hipoteca de juro fixado em 6% e prazo de 30 anos para pagar, de acordo com John Ulzheimer, presidente do setor de educação do consumidor da Credit.com. Cerca de 83% dos fregueses cujo crédito foi avaliado estavam na marca de 580 ou acima dela, disse Ulzheimer. Agora, segundo ele, é possível que uma pessoa necessit de uma avaliação igual a 780, patamar atingido apenas por 17% das pessoas.

Bassam, cujo negócio é famoso por causa do anúncio que veiculava na televisão trazendo o slogan "Onde seu emprego é o seu crédito", especializa-se na venda de carros para pessoas cuja avaliação de crédito é considerada "preferencial" ou "quase preferencial". Nos bons tempos, ao trabalhar por meio de telefonemas com empresas que oferecem crédito para segundas chances, ele conseguia um empréstimo com alta taxa de juros para alguém de crédito avaliado até a marca mínima de 450. Isso é agora impossível, não importa o quanto ele e sua equipe de vendas façam lobby em prol do freguês. O que é pior, segundo Bassam: nem os fregueses com boa avaliação de crédito têm seus pedidos de empréstimo aceitos.

A indústria automobilística é vista há muito como parâmetro do andamento da economia real, voltando até o antigo truísmo econômico que diz que "conforme estiver a General Motors, também estará o país". A venda de novos carros, caminhonetes e minivans nos EUA caiu 27% em setembro em relação ao mesmo mês do ano anterior. A Nissan viu uma queda de 36,8%; a queda na Ford foi de 34,5%; e a da Toyota, 32,3%.

Há mais sinais sutis de que a economia está em declínio, como por exemplo as pessoas que são obrigadas a devolver carros pelos quais não podem mais pagar. Jatinder Sehmi, dono do serviço de guinchos Montrose em Rockville, disse que com freqüência retoma carros de pessoas que se empolgaram durante os bons tempos e agora não conseguem pagar suas contas.

Sehmi aponta para um belo Mercedes. O sujeito refinanciou a casa, sentiu-se cheio de dinheiro, e comprou um carro chique. Agora o veículo está atolado na lama num estacionamento para propriedades apreendidas. "São os destroços da vida de alguém." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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